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Após aluna ser barrada, associados questionam representatividade da AEG

Estudantes sendo barrados, dívida gerada e repassada para os jovens e gerenciamento do transporte realizado por meio da Associação é motivo de questionamentos da classe estudantil

Cidade
Guaíra, 24 de junho de 2018 - 16h32

 

 

 

 

 

 

Universitários indignados e sem a segurança de uma Associação que deveria representá-los. Assim tem sido a relação entre alguns associados que pertencem ao quadro da AEG – Associação dos Estudantes de Guaíra, que tem à sua frente o estudante e professor Paulo Sérgio Lago.

Na quinta-feira, 21, durante o embarque de alunos para Bebedouro, duas jovens foram impedidas por um funcionário da empresa Rio Grande de seguir viagem. O motivo seria porque elas estavam com mensalidade em atraso. Um vídeo registrou os momentos das discussões, do choro de uma das envolvidas e da falta de diálogo de uma representante da Associação e do funcionário da empresa responsável por barrar a entrada no ônibus.

O momento foi divulgado nas redes sociais, por meio do Facebook e de aplicativos de mensagens e gerou revolta e questionamentos sobre a representatividade da AEG. “Não sei o que esses estudantes estão fazendo nessa AEG ainda, já deram motivos suficientes para saírem dessa empresa. Precisam de mais o que? Saí dessa empresa ano passado e não me arrependo de nada!”, comentou uma aluna.

Entretanto, em contato com o presidente da instituição, Paulo explicou porque as moças foram barradas. “Neste caso em particular não dependia da liberação dos nomes pela AEG, pois se trata do pagamento das mensalidades em cheque pré-datado, o qual deu direito a terem seus recibos de pagamento. O que ocorreu é que voltou os cheques das mensalidades de Outubro e Novembro de 2017, quando em Março deste ano foram cobradas e deram outro cheque no valor total pré datado para Junho. Nesta mesma data pagaram também as mensalidades de ambas com outro cheque no valor total (auxílio + parte do aluno) pré datado para Maio. Em Abril, outro cheque e assim se acumulando. Resumindo, todos os cheques voltaram por motivo sem fundo e conta encerrada”, disse Lago.

O professor ainda complementou. “Ainda assim, nos solicitaram mais prazo que foi até a última sexta e posteriormente até dia 21/06, as quais não compareceram para quitar seus débitos em dinheiro, pois queriam emitir outro cheque no valor total e a empresa se recusou a aceitar, pois são mensalidades que datam de Outubro de 2017. Foram avisadas, ligaram na associação fazendo ameaças e que iriam de qualquer jeito, resultando naquele episódio. Este caso fugiu do nosso controle, pois a empresa possui os documentos que comprovam a inadimplência”, complementou.

No final, os alunos foram transferidos para outro ônibus e as alunas inadimplentes, impedidas de viajar, seguiram para Bebedouro de carro, já que uma delas tinha prova na faculdade. “Em meio a esta polêmica, em nenhum momento ocorreu intervenção de diretores da Associação. A forma com que a aluna foi tratada chegou a limites de humilhação. Mesmo que exista valores em aberto de uma pessoa, os valores repassados pela maioria estão sendo repassados, não justificando um tratamento individualizado desta forma”, disse um universitário.

O PAGAMENTO

A partir do segundo semestre de 2017, a prefeitura, com o suporte de vereadores e comissão de pais de alunos, modificou a legislação do auxílio transporte. Antes, o poder público realizava uma licitação e contratava empresas de ônibus. Porém, com a nova lei, o repasse fixo se tornou individual por aluno e, cabe a ele, por meio de associação ou não, contratar a firma que o levará até a cidade universitária.

O governo municipal entendeu que deveria dividir esta responsabilidade com o estudante, como acontece em outros municípios – por exemplo, Colina, que serviu de inspiração para Guaíra. Assim, o jovem possui mais opções de negociação de valores e, principalmente, a qualidade do transporte. Hoje, parte do serviço é realizado por empresas contratadas pela AEG e outra por contratação direta com a empresa Fênix Turismo.

Sendo assim, a partir do momento que a prefeitura repassa os valores para o aluno, cabe a cada um, ou até mesmo à associação, contratar os ônibus e gerir os pagamentos. A única obrigação do governo é ajustar a forma de concessão para que não ocorram os mesmos problemas no primeiro semestre de 2017. Entretanto, o diretor da pasta da Educação, o vice-prefeito Renato Moreira, tomou ciência do ocorrido nesta quinta-feira (21) e se colocou à disposição para qualquer esclarecimento. “Infelizmente, um caso como esse acabou acontecendo. Mas, se têm ocorrido algumas divergências, nos colocamos à disposição para tentar solucionar essa situação”, afirmou.

REUNIÃO NA AEG

Na tarde de 16 de junho aconteceu, na sede da AEG, uma reunião com alunos que utilizam o transporte para a cidade de Bebedouro, com a presença de um grupo de estudantes, pais e apenas dois diretores da entidade, dentre eles o presidente Paulo Lago. O encontro esclareceu uma dívida de mais de R$ 8 mil referentes ao transporte para o município bebedourense, realizado pela empresa Rio Grande. Foi justificado que este valor se refere à diferença das viagens realizadas aos sábados e que não estavam sendo cobradas.

A dívida começou a ser originada no primeiro semestre de 2017, quando houve a mudança a forma de concessão do auxílio transporte por parte da prefeitura. O valor devido, que não foi informado, foi pago com valores arrecadados em 2018. Mesmo assim, surgiu esta nova dívida que, segundo Paulo Lago, era referente às viagens aos sábados.

“Neste ano, encaminhamos ofícios à Prefeitura para que revesse o valor do auxílio para Bebedouro e Miguelópolis, o que levou tempo. Assim, diante da não resposta e tendo este mês uma mensalidade consideravelmente baixa para Bebedouro de apenas R$ 38, decidimos incluir, de agora em diante, as viagens realizadas aos sábados no cálculo da mensalidade de cada mês. Uma vez que, se formos cobrar somente de quem usa esse transporte, essas pessoas pagariam R$ 50 ou mais por cada sábado. Com a divisão entre todos resultou um valor R$ 37 referente todo o primeiro semestre, dando um valor mensal para cada aluno de R$ 7,40 em média. Contudo a mensalidade de Bebedouro teve um valor total de R$ 75,00. Considerando que nos anos anteriores pagavam um valor fixo de R$ 180,00”, contou Paulo.

A diretoria da AEG já havia se reunido para tratar deste assunto e os cinco membros que compõe os representantes da associação decidiram que o valor seria rateado com todos os alunos de Bebedouro, o que gerou insatisfação principalmente naqueles que não seis vezes por semana. Durante a reunião do dia 16, ainda foi questionada a prestação de contas desta dívida, uma vez que apenas apresentaram um valor e não demonstraram, com recibos e notas, a sua origem.

SEM NOTA FISCAL

Durante essa reunião da AEG, ocorreram vários questionamentos sobre a atuação da entidade que, segundo alguns universitários, estaria defendendo apenas os interesses da firma de transporte. Dentre eles, se a empresa prestadora do serviço estava emitindo Nota Fiscal dos valores pagos pela AEG. A informação repassada pelo presidente Paulo Lago foi que não, uma vez que a falta deste documento fiscal – que gera impostos – era a razão de ocorrer uma negociação com valores menores para os estudantes.

“É uma questão polêmica, pois não é a empresa que não fornece e sim nós que não exigimos. É de conhecimento de todos que, quando a Prefeitura licitava, ela exigia nota da parte que competia a ela pagar e da parte do aluno nunca foi exigida. Assim, os valores atualmente praticados por quilômetro rodado é equivalente aos valores de 2015. Desta forma, não prevê a emissão de nota fiscal, sendo também que o Auxílio foi calculado levando em consideração esta realidade. Portanto, hoje, se formos exigir Nota Fiscal, o percentual do Imposto recairá totalmente sobre o aluno, que poderá variar de 13 à 19% a mais. Deste modo temos somente os recibos dos repasses e uma Declaração de Quitação fornecida pela empresa”, esclareceu o presidente.

FURTO NA AEG

Há ainda comentários em meio a classe estudantil que, nesta semana, ocorreu um furto de valores na sede da Associação. Na reunião do último sábado, eles perguntaram sobre a segurança do prédio e a vulnerabilidade da prática de recebimento de valores pela entidade.

Paulo Lago ressaltou que o crime ocorreu em circunstâncias estranhas, porém, nada significativo foi levado. “O caixa estava com dinheiro de troco e as mensalidades daquele momento, duas ou três”, finalizou.

CONQUISTAS

Ao ser indagado se a AEG está instável com seus associados, o presidente acredita que não e elencou algumas conquistas da entidade em prol do aluno. “Como não há representatividade? Assumimos o ônus do transporte, com uma dívida mensal que gira em torno dos R$ 200 mil mês, reduzindo os valores mensais, principalmente em Bebedouro com uma mensalidade total de R$ 75; Transporte de melhor qualidade e com o mínimo de problemas nos últimos anos; Melhoramos as instalações e equipamentos para atender os associados; Procuramos atender o caráter coletivo e não devemos atender as individualidades de ninguém; Seguramos ao máximo possível o prazo para o pagamento das mensalidades, todos aquele que se justificam têm seu tempo respeitado e procuramos facilitar toda a burocracia imposta atualmente aos alunos, entre outros”, apresentou.


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