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A Atuação do Psicólogo no Apoio à Criança com TDAH

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Guaíra, 23 de Março de 2017 - 09h42

Por Pâmela Pereira Inomata

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Este transtorno tem sido amplamente estudado devido, principalmente, ao aumento significativo do número de diagnósticos. De fato, a literatura da área mostra que o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma das principais causas de procura e encaminhamento para atendimento clínico de crianças e adolescentes.

O diagnóstico é complexo e envolve observação clínica, avaliação psicológica e histórico escolar e familiar. O tratamento é multimodal, envolvendo equipe multidisciplinar, como psicólogo, psiquiatra, neurologista, pedagogo e às vezes fonoaudiólogo; e todos são responsáveis por orientar os pais ou responsáveis.

Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal cérebro, esta é uma das regiões mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.

Assim, atuação do psicólogo junto ao paciente é essencial em diversos aspectos e em todas as etapas, seja na identificação ao observar o comportamento nas esferas escolar, familiar e social, a seguir pelo diagnóstico, apontando as relações indivíduo/ambiente, seja no tratamento, ao focar na compreensão e adaptação, incluindo o acompanhamento junto a seus pais (família), proporcionando uma melhor qualidade de vida para a criança ou adolescente.

Os sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade variam em função de alguns fatores: idade, sexo, estímulos externos, entre outros. Assim, um garoto de sete anos com TDAH pode apresentar uma sintomatologia bem diferente de uma garota na mesma idade. E ainda, adultos podem apresentar uma diminuição de alguns sintomas ou uma exacerbação de outros. Além disso, estudos têm demonstrado que crianças com esse transtorno apresentam um risco aumentado de desenvolverem outras patologias psiquiátricas na infância (pré-escola), adolescência e idade adulta, associados ou não ao TDAH, tais como Dislexia, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Depressão, Fobias, Transtorno Obsessivo-compulsivo entre outros.

Portanto, o impacto do TDAH na sociedade é grande, considerando o estresse nas famílias, o prejuízo nas atividades acadêmicas e vocacionais, bem como efeitos negativos na autoestima das crianças e adolescentes.

Alguns autores relatam que nas crianças a principal diferença de sintomas está associada ao gênero (masculino ou feminino). Portanto, nas garotas ocorre com mais frequência a manifestação do TDA sem hiperatividade e impulsividade com forte ênfase na desatenção. Já nos meninos, por outro lado, se destaca o fator hiperatividade / impulsividade. Os sintomas mais frequentes no sexo feminino são a dificuldade em manter o foco da atenção e/ou manter-se quieta, podendo se manifestar de diversas formas. Os do sexo masculino, por exemplo, são agitados ou inquietos, frequentemente ganham apelidos e ficam estigmatizados, e isso faz com que a criança perca toda a vontade de fazer parte de algum grupo social na pré-escola, ficando assim com dificuldades nas relações sociais.

Para o sucesso do tratamento, a ajuda dos pais é de extrema importância para que as instruções dadas sejam seguidas, uma vez que os aspectos sociais e emocionais dos pais, assim como os métodos utilizados por eles na educação de seu filho (a), influenciam nas atitudes e comportamentos apresentados pela criança e possibilitam a sua compreensão do comportamento diferenciado da criança portadora do TDAH em relação às outras crianças.

As exigências de uma criança com TDAH podem provocar conflitos na família como divórcios, brigas entre os familiares a respeito da educação da criança, entre outros. Sobre esta perspectiva, diz-se que a comunicação é o elemento primordial que une os indivíduos, o diálogo com a criança deve ser objetivo, franco e direto.

Assim, uma das tarefas dos profissionais responsáveis pela avaliação e acompanhamento destes pacientes é ressaltar as dificuldades enfrentadas pela própria criança, enfatizando a importância e o impacto positivo que o apoio familiar e social pode ter. Estimulada e apoiada, a criança participa ativamente do tratamento, evidenciando frequentemente criatividade e entusiasmo no manejo das dificuldades associadas ao TDAH.

Pâmela Pereira Inomata

Psicóloga – CRP 06/103502

Clínica São José

Rua 16, 605 – Centro

17-3331-2675

 


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