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Colunista

Por que há tanto ódio na Internet?

Quem nunca se enfiou em uma treta daquelas nas redes sociais, que atire a primeira pedra. Cada vez mais comuns, dia sim dia não ocorrem tretas daquelas épicas. As pessoas deixam a razão de lado e tomam todas suas decisões baseadas na emoção.

Mas por que?

A resposta está dentro de cada um de nós. Sim, no nosso DNA. A velocidade da evolução humana é muito mais rápida que nossa evolução darwiniana. O processo mutagênico depende puramente do acaso, tornando-se eficaz apenas quando falamos em milhares de milhões de anos. O homem passou seus 300 mil anos de existência se relacionando com o olho no olho. Disso surgiu a empatia, a capacidade do ser humano em compreender o que o outro sente. É a empatia que faz sentirmos vergonha quando seu tio manda aquela piada do “é pavê ou para comer?”, sentir tristeza quando vemos alguém sofrendo, ou rir sem qualquer motivo só porque vemos alguém rindo. Quer fazer um teste sobre a empatia? Boceje ao lado de uma pessoa e você verá que bastará poucos segundos para que ela boceje também. A empatia foi um dos fatores primordiais que transformou o homo sapiens na espécie mais poderosa da Terra, superando inclusive outras espécies de homens como o homo erectus e os Neandertais. Fisicamente o Neandertal venceria facilmente qualquer Homo sapiens. Mas a empatia permitiu que os Sapiens se organizassem melhor em grupos. E quem acabou extinto foram nossos primos europeus.

Quando conversamos com alguém sem qualquer contato físico – não olhamos nos seus olhos, não ouvimos sua voz ou não sentimos seu toque – é como se a empatia fosse desligada dentro de nossos cérebros. É por isso que temos tantas brigas no trânsito. Dentro dos carros, nosso cérebro primitivo não entende que dentro dos outros carros possuem pessoas. Vemos apenas outro automóvel.

A empatia está em modo off. Ou quando um político corrupto desvia dinheiro. Ele sabe que aquele ato irá matar várias pessoas por não ter vagas em hospitais ou tratamento adequado, mas ele o faz com muito mais tranquilidade que matar uma pessoa com um revólver. Está apenas assinando alguns papéis e guardando malas de dinheiro. O mesmo acontece nas redes sociais. A falta de empatia, apesar de exacerbada nos dias atuais, é antiga na humanidade. Ao se dividir em grupos, há uma natural falta de empatia com membros das outras tribos. Isso pode ser de acordo com a raça, povos, ou até mesmo times esportivos.

É a falta de empatia entre as diferentes tribos que situações como a escravidão e a os genocídios tenham ocorrido de forma tão frequente na história da humanidade. Há outros pontos, claro. Temos que entender que nosso cérebro evoluiu não para nos dar clareza e ver a razão nos fatos, mas sim para sobreviver. E sobreviver significava participar de um tribo e seguir suas regras. Veja o caso da cidadania de Barack Obama. Muitos diziam que ele era muçulmano nascido no Quênia. E continuaram afirmando mesmo quando ele mostrou sua certidão de nascimento original. Para eles era mais fácil manter o discurso ideológico do que se render aos fatos. Isso porque nosso cérebro considera mais seguro nos mantermos unidos a nossa tribo e a nossa ideologia do que mudarmos de opinião frente a novos dados e acabarmos isolados e indefesos.


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