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Guaíra, 29 de outubro de 2017 - 11h56

Celia Marilsa: mãos que misturam cores e tintas

Celia Marilsa de Assis da Silva, casada com o Advogado Valdemir Fernandes, mãe de Tarcísio de 27 anos e Vinicius de 25 anos, estudantes de direito em São Paulo.  Celia Marilsa, este nome único, é um dos nossos orgulhos porque leva e eleva o nome de Guaíra, através de sua Arte. Conheça melhor nossa artista através de suas próprias palavras!

 

Quando você percebeu que tinha o dom para a arte?

Sempre gostei muito de estudar. Quando era criança, morei na roça e quando minha mãe vinha na cidade, pedia para ela comprar cadernos, lápis… Eu gostava do cheiro dos cadernos. Até então não tinha despertado o gosto pelo desenho e pela pintura. Em 1977, quando estava na sétima série, nos mudamos para Ribeirão Preto. Lá tive contato com uma professora de Educação Artística, professora Maria Helena, que foi uma pessoa que marcou minha vida.  Ela me apresentou tintas diferentes, carvão, tintas guache, nanquim colorido e me incentivou a guardar os primeiros desenhos por mais simples que fossem. Tenho todos guardados até hoje, desde aquela época. Ela fazia isso para que nós percebêssemos a nossa evolução, o nosso amadurecimento. Faço isso hoje com meus alunos. Faço das palavras dela as minhas, porque se não tivermos este parâmetro, vamos sempre achar que está a mesma coisa, pois não há como comparar os trabalhos. Com isso vamos ficando críticos.

 

Como foi a trajetória da Professora Celia Marilsa?

Quando voltei para Guaíra continuei com o incentivo de meus pais, principalmente de minha mãe. E era tudo o que eu precisava. Guaíra era carente desses materiais, eu trazia de fora, encomendava, com o aval de meus pais. Comecei pintando em tecidos, passei depois para as telas. A primeira pessoa que me ensinou a técnica de pintar em tecidos foi a Dona Nilde, professora de Francês, no Enoch, tínhamos que fazer uns cadernos, uns “panos de amostra”, mas eu queria pintar! Na escola não tinha esta matéria, mas ela  me estimulou e pediu para eu levar as tintas. Me ensinou dizendo: “coloque o verde de um lado, amarelo do outro, mistura no meio” Pronto! Comecei a pintura e até pintei camisetas para vender! Nesta época veio para Guaíra um professor chamado Gilberto, que abriu, na casa dele, uma espécie de ateliê e ali aprendi a fazer bastante trabalhos artesanais. Aí sim, me encantei de vez com as cores e com as tintas. A Professora Silvinha, que dava aula de História, era minha vizinha e me avisou que iria ter um curso de porcelanato na Casa de Cultura. A professora era a Romilda Petroni, eu era a mais novinha da turma. Pouco depois, comecei a fazer Faculdade de Educação Artística e nesta época, a própria Romilda me pediu para que eu iniciasse as alunas no comecinho do curso e depois passaria para ela no estágio mais avançado. Assim, dei aulas de porcelanato, depois passei para o tecido, e durante muitos anos fiquei na Casa de Cultura. Em 1988 me casei e construímos um espaço em casa e em 1990 comecei a dar aulas no meu ateliê. Aí vieram as telas. A Romilda e o Pedro Cela vieram dar um curso da Casa de Cultura, fiz este curso, e começamos a trazer professores de fora, ia também buscar conhecimentos fora, assim, vieram: o Moro, Fernando Madalena, Ronaldo Bonner Junior, Magueta, Monteiro Prestes, Alexandre Raider, sempre adquirindo conhecimentos com cada um deles.

 

Dá para sobreviver financeiramente de sua arte?

Não dá para responder com total segurança porque tenho o suporte do marido. Com os filhos estudando fora, há a faculdade, mas vendo bastante, principalmente a porcelana,  porque tenho uma página no site de vendas (www.elo7.com.br/atelieceliamarilsa)  através do qual vendo para o Brasil inteiro. Já vendi para o Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, o que mais vendi até hoje foi para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Tudo pelo correio. As telas não podem ser enviadas através do correio, só podem telas pequena, há um limite de tamanho.

 

Amor pela arte

Eu gosto muito do que faço. Passa por mim muitas pessoas talentosas. Mas, é imprescindível que goste do que faz. Não adianta pensar que se vai aprender, que vai enfeitar a casa, que vai ganhar um dinheirinho, não adianta, quem pensa desta forma vai fazer um trabalho técnico. Mas, a partir do momento em que se ama o que faz, vai se ultrapassar a técnica, vai ter expressão, vai ter a manifestação do amor e a obra fica mais interessante, com alma!!!

 

Já teve problemas de saúde em decorrência do uso das tintas?

Os médicos acham que a minha voz, um pouco mais rouca, vem em detrimento das tintas. Sempre tenho máscaras no meu ateliê e conforme naquilo que estou trabalhando, ou se estou resfriada, uso a máscara. Existe também uma tendinite, mas é o meu trabalho!!!

 

Qual o perfil da pessoa que procura ter aulas de pintura?

Hoje tenho até uma criança de quatro anos de idade. Geralmente eles começam pequeninhos, vão até os doze, quatorze anos, aí dão uma parada porque a escola fica mais difícil, tem que estudar mais, tem o vestibular, tem a faculdade, e depois disso tudo voltam bem mais tarde, já adultos, casados, com filhos.  A Tatiana Vacaro é um exemplo disso. Começou comigo, aos 12 anos de idade e hoje ela supera muitos profissionais. Hoje eu aprendo com ela. Ela é excelente na sua técnica e está sempre buscando, sempre aprendendo.  Muitas vezes as pessoas que vão ao ateliê dizem que querem muito aprender mas admitem que “não levam jeito”. Eu sempre digo: Se levam ou não jeito, a primeira coisa que a pessoa tem que aprender é gostar de fazer. A Arte, se tem ou não o dom, vai se descobrir, mas se não gostar, não amar, aí a arte não aflora, porque o leque é muito grande, existem várias técnicas, vários tipos de pintura. Tem pessoas que começam no desenho, depois vão para tinta, depois partem para o artesanato e de repente descobrem que gostam de algo totalmente diferente, mas que está dentro da arte. Tem que experimentar. Eu já pintei de tudo: papel, tecido, gesso, cimento, isopor, estou sempre experimentando. Tem que experimentar. Quando alguém me procura para fazer um desenho, um grafite, eu os direciono para a Casa de Cultura, para o Fabrício e o Luciano Alexandre, que são muito bons. Eu não faço desenho, faço um esboço para fazer a tela. Desenho com a tinta!!!

 

Existe o reconhecimento profissional?

Sim, já fui homenageada pelo projeto “mulheres de Expressão”, o Jornal “O Guaíra” também me ofereceu um troféu e tive uma premiação de um quadro moderno, numa exposição de um salão em Barretos. Já participei de salões em Olímpia, São Paulo, Brodowski, Sales, Franca, mas hoje nem tento mais participar dos salões porque o artista tem que ter os trabalhos no mesmo estilo. Eu gosto de diversificar, gosto de fazer de tudo, gosto de variar, uma hora faço flores, outras paisagens, outras moderno. Parei de me preocupar com isso. Desde 2011, tenho feito exposição no shopping de Barretos. O Ricardo, gerente do shopping, todo ano oferece um espaço na agenda. Cheguei a participar duas vezes no mesmo ano.  Tenho esta abertura em Barretos também na Galeria Zatiti, sempre tem obras minhas lá. Fiz duas vezes exposição no Novo Shopping de Ribeirão Preto. Já tive trabalhos também publicados em Revistas: “Artistas da Vernissage”, “Art Gallery in Brazil”, Panorama da Arte Atual; e catálogos: “Arte e Artistas”; “Artistas da Vernissage”. Acontece que hoje a Internet é uma ferramenta que eu uso muito, através do site da Elo7, através da minha página pessoal e do ateliê do Facebook, onde posto meu trabalho. Não compartilho trabalhos de outros amigos na minha página porque as pessoas podem confundir e podem achar que são trabalhos meus. Assim, eu curto, comento, mas normalmente não compartilho para não desmerecer o artista e meus amigos pensarem que são trabalhos meus.

 

Há sempre doações de seus trabalhos quando o assunto é beneficente, por quê?

Sempre procuro colaborar com a nossa sociedade. Já doei para APAE, Asilo, Hospital de Câncer, Igreja e deixo claro que quando o assunto é benemerência, sempre tenho algo reservado para auxiliar. Não sei se é uma forma de retribuição mas, tudo que eu puder fazer, eu faço!

 

Você reconhece um trabalho seu, esteja onde estiver?

Dá para reconhecer não só os meus trabalhos como também trabalhos dos meus alunos. As pessoas que já passaram pelo meu ateliê também reconhecem o trabalho. Muitas delas me dizem que viram quadros ou objetos nos consultórios médicos. Teve uma aluna de Barretos que fez uma exposição em Ribeirão Preto e que vendeu seu trabalho para pessoas de Guaíra. É muito gratificante.

 

Você se sente realizada?

Não posso dizer que estou realizada porque em arte se aprende todos os dias. Eu tenho muito ainda que aprender. Hoje eu aprendo com a criança, com o adulto, com a paisagem, acho muito interessante meus pequenininhos, que começam a desenhar e os admiro muito. Estou sempre querendo, buscando…  Geralmente o último trabalho é o que se acha mais bonito, mas o próximo se quer fazer melhor, é uma busca incessante.

 


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