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Entrevista da Semana

Paulinho e as lembranças do banquinho da Farmácia

Cidade
Guaíra, 25 de Março de 2018 - 10h18

Paulo Sergio do Prado, casado com Elenice Carreira Carvalho Prado, pai da farmacêutica Carina e do Promotor Público em Maceió, Paulo Henrique. É avô do Tiago e Caio. Guairense de nascimento, de coração e alma, o Paulinho da Farmácia está no ramo farmacêutico desde os 10 anos de idade. Trabalhou com o Jorge e com o Renatinho – se lembra quando a Farmácia em que trabalhou com o Renatinho se situava onde hoje é a Sorveteria do Chiquinho. Amigo dos amigos, morre de saudades dos filhos que estão longe e adora abraçar os netos.

 

Sempre estudou em Guaíra?

Sempre! Fui aluno do saudoso Professor Arlindo Alves, da Dona Betinha, do Professor Washington, Professor Moacir, Dona Dalvinha. Me lembro do Sr. Batatais, que era o servente! Bons tempos aqueles.

 

Foi um jovem ativo nas baladas?

Não muito! Eu saía da farmácia e já passava direto para a casa da Elenice. Com 14, 15 anos já namorava a Elenice. Quando nos casamos tinha 19 anos! Então, não tive muito de sair com turminha. Tenho até hoje os amigos de antigamente: o Vamberto, o José Firmino Dimas, que trabalhava no Bradesco, o Luis, filho do Seu Manuel…

 

Mas foi uma época boa?

Foi muito boa! Se eu tivesse que voltar atrás, faria a mesma coisa e me casaria, de novo, com a Elenice!

 

O banquinho, referência da farmácia!

Este banco já existia quando eu trabalhava de sócio com meu irmão Chicão, na lá farmácia da Rua 8. Ali se reunia o pessoal da gráfica e quem queria descansar. Depois, em 1983,1984, abri a farmácia na Rua 12, onde estou até agora e coloquei um banco ali. Assim, o pessoal foi chegando… Os amigos, os políticos, passaram pessoas muito simples, muito amigas!

 

Tinha amigo que frequentava o famoso banquinho todos os dias?

Ah, sim! Por exemplo, o Sr. José Adalberto, ele foi uma pessoa que até hoje me lembro bem, porque deixou marcas, deixou ensinamentos, tinha grandes conhecimentos de tudo, discutia qualquer assunto, inclusive, sabia muito sobre a história de Guaíra. Seu Zé Adalberto tirava duas, três horas por dia para se sentar ali e ficar conversando e eu tinha um prazer enorme em falar com ele. Isso acontecia todos os dias. Muitas vezes, ele tinha a paciência de me esperar atender o cliente para continuar nossa conversa. Foi muito bom ter convivido com ele.

 

Além do Seu Zé Adalberto…

Vários amigos passaram pelo banquinho! Há pouco tempo perdi um desses companheiros de conversas diárias, o Professor Rubens Geraldino, uma pessoa que também tinha uma bagagem maravilhosa de conhecimentos, porque gosto muito de conversar com os mais velhos, eles sempre têm alguma coisa para nos acrescentar. Seu Antônio Manoel da Silva, também outra pessoa maravilhosa que deixou saudades! Seu Nenê, na verdade o nome dele era Sr. Vicente, trabalhava no Enoch e tocava na Banda. Estes, e muitos outros, sempre passavam por lá e se ficassem dois ou três dias sem aparecer a gente se preocupava, pensando o que poderia ter acontecido!

 

E os políticos?

Estes eram pessoas cativas. O Menininho Pugliesi, por exemplo, passava cedo, na hora do almoço e à noitinha. Tinha dia que ele telefonava em casa e perguntava: “você não vai abrir a farmácia?” (risos). Fora os que passam até hoje, o Shigueaki Suzuki, o Lindomar.

 

Quais eram os assuntos? 

Só coisas boas: política, futebol, religião… Qualquer assunto que se jogasse ali, tinha ressonância. Nada de maledicências, nunca coisas prejudiciais, sempre querendo saber a opinião da população, principalmente sobre a política, porque um trazia uma coisa, ou outra, aí se baixava no coador, coava aquilo tudo e pronto saía um resultado (risos).

 

Você é um ser político?

Na verdade acho que todo mundo é um pouco político. Em algumas pessoas isto aflora mais e em outras menos! Gosto da política, sempre gostei, mas não gosto de participar! Nunca fui candidato a nada! O único cargo público que ocupei foi ser Presidente da Associação Comercial. Fora isso, não fui candidato a nada, sempre gostei de estar envolvido, desde menino, quando o comitê do Chubaci era ao lado da Farmácia, na Av. 11, entre as Ruas 10 e 12, enquanto estávamos esperando o resultado a apuração dos votos, era uma angústia, o resultado demorava, então, desde aquela época eu me via envolvido e eu nem votava ainda!

 

Os políticos, principalmente das esferas superiores, estão muito desacreditados?

Acredito que alguns seres humanos estão desacreditados! Se existe um lixo, quem provocou este lixo foi a população! O que temos lá é o resultado do que a população colocou! Precisamos entender que agora o que está lá é o nosso retrato. É preciso que haja uma conscientização de se votar naquele que se tem confiança! Naquele que se pesquisou e se verificou que é digno do seu voto. Se votou no pior, anteriormente, é porque faltou informação. A mídia tem um papel preponderante, porque o povo recebe informações da mídia. Aqui, em nosso reduto, é mais fácil, porque conhecemos todo mundo. Sabemos quem é quem. Mas em âmbito nacional, é preciso ler mais, pesquisar mais, prestar mais atenção, hoje ainda temos a Internet que é uma informação quase que em tempo real. No entanto, também é preciso ter cuidado, porque há muita coisa falsa, fabricada correndo por aí.

 

Agradecimento

Quero agradecer meus amigos, tenho inúmeros amigos, tantos que nem dá para elencar, agradecer principalmente minha família – porque família é o esteio da sociedade – minha esposa Elenice, minha amiga, pessoa exemplar, companheira de todas as horas!

 

E as novas gerações?

Quando se fala: “vou dar para o meu filho aquilo que não tive”, é preciso se pensar, “como não recebeu?”, recebeu sim, recebeu exemplos, pode não ter recebido em termos materiais, em heranças, em quantidade de dinheiro, mas recebeu modelos, espelhos, valores, esta herança moral é a mais preciosa que um pai pode deixar para o filho!


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