Sex - 20/04
28º 18º 06:14
Guaíra - SP

Entrevista da Semana

Wellington Miranda e sua trajetória no mundo da música

Cidade
Guaíra, 15 de Abril de 2018 - 09h59

Wellington Cesar Miranda Pereira, casado com Jéssica Rodrigues, pai de Matheus Pereira (residente em Barretos) e Adrian Felipe, de um ano e um mês. Inteligente e versátil, Wellington nos emocionou várias vezes durante a entrevista contando sua vida marcada por superações de muita Fé em Deus. Falou da adrenalina que corre nos bastidores antes de um show, da gratidão pelas pessoas que passaram por sua vida. O cantor é, antes de tudo, um guerreiro, humilde e confiante numa luta que não termina, porque ela é constante!

Você sobrevive da música?

Eu sobrevivo da música, mas sobreviver não é viver! Se fosse para depender somente da música eu não conseguiria manter minha família.

Você se tornou um professor de música?

Sim, já estou ministrando aulas de música na Escola Ana Lelis há 4 anos. Dava aula para o ensino infantil e fundamental. Hoje só dou aula para o fundamental e devo confessar que amo o que faço, amo meus alunos, a escola, é um prazer ensinar música!

E no grêmio colorado?

Recebi um convite para ir pra lá para cuidar da parte de eventos, do clube social, para auxiliar o Rafael Braghiroli – que é o nosso gerente, pois ele toma conta do Instituto Oswaldo Ribeiro de Mendonça e não dispõe de tempo para zelar de tudo.

Como você descobriu o dom da música?

Minha mãe conta de desde criancinha eu tinha desenvolvimento para a música. O lado do meu pai é muito musical: meu avô era sanfoneiro na época dos bailes nas fazendas e ele era um exímio cantor. O meu pai também toca viola e canta! Ainda tenho um tio que canta muito, que teve tudo para seguir carreira e fazer sucesso. Não seguiu este caminho não sei o porquê. Mas, com seis anos eu pedi para participar da Fanfarra do Enoch – a Fanegal – onde fiquei até os 17 anos! Ali desenvolvi todo o segmento para a música.

Seu primeiro instrumento musical, qual foi?

Com nove anos, pedi um violão para o meu pai! Só que éramos muito pobres. Nesta época eu vendia picolés para o Chiquinho – que é esta potência hoje – e, com meu dinheirinho (eu comecei trabalhar com 7 anos), comprei também meu primeiro Kichute (na sapataria do Ite) de forma que nunca dei dor de cabeça para o meu pai. Eu comprava meus lápis, meus materiais, meus tênis…

E depois dos picolés?

Depois fui trabalhar no armazém do Sr. Napolitano. Eu gostava muito dele e ele também gostava de mim! Neste armazém tinha latas de querosene e eu não sabia para que servia o querosene, embebi uma estopa com este líquido e coloquei fogo. Pegou fogo numa prateleira inteira. Saí de lá, fiquei 6 meses afastado, então, Seu Napolitano foi atrás de mim e pediu para voltar! Fiquei mais um tempo trabalhando e entregando gás, mas nunca me afastei da Fanegal.

E após o Armazém?

Fui trabalhar no açougue da Lila. Eu estava na Escola, frequentava a Fanegal e foi na época da mudança para o plano real. Tinha que fazer algumas conversões para este plano e logo peguei o jeito, então ajudava muito a Lila. Fazia de tudo neste açougue.

Continuou por lá?

Não, fui trabalhar no Supermercado do Toninho!  Trabalhei mais de um ano, mas precisei sair porque eu entregava compras até no Guaritá. Era um dos maiores supermercados daquela época. Eu estava mal na escola, então, minha mãe resolveu que eu iria somente estudar.

E conseguiu ficar parado?

Nada! Acostumado a trabalhar desde os sete anos, logo arrumei um serviço de guardinha com o Helio Eletricidade, com Seu Erci. Trabalhava com comissão, então, ganhava muito pouco…

Um anjo chamado Arlindo Alves…

Um dia encontrei-me com seu Arlindo Alves, que perguntou o que eu estava fazendo! Lembro direitinho, seu Arlindo balançando um chaveirinho, me avisou que na próxima semana haveria um teste na Colorado para guardinha. Era um tipo de “jovem aprendiz” de hoje. Fui fazer o teste e passamos eu e o Leandro. Fiquei 10 anos na Colorado, dos 14 até os 24 anos.

E a música, como aconteceu?

A música nunca deixou de existir na minha vida. Sempre trabalhei e sempre me dediquei a ela. Eu entregava malotes na Usina, de bicicleta e ia andando e tirando sons, com a boca, imitando bateria, cantando… Me puseram o apelido de “gole” porque vivia tirando som… Fiz até um curso de Coral, era gestão do Dr. Orlando, a professora me ensinou matéria de canto e coral, tenho até diploma! Mas, enquanto estava na Colorado, entrei para um grupo de pagode: “Mistura de cor”, era o Fizinho, Claudião… Devo muito ao Fizinho, ele me ensinou as notas no cavaquinho. Todo fim de semana ele me ensinava, tinha paciência, tirava a nota no cavaquinho e eu tinha que pegar a percepção da nota com a voz.  Me ajudou demais musicalmente.

Um sonho desfeito

Eu tinha um sonho de me apresentar no programa Raul Gil. Nesta época eu ainda cantava pagode. Nunca tinha ido a São Paulo, tinha 16 anos. Comprei a passagem e fui, sozinho. No caminho, entrou um policial, que se sentou ao meu lado, confidenciei a ele que estava morrendo de medo. Ele ia descer na rodoviária e me indicou onde eu tinha que ir. Fui através do guia, no ponto de ônibus e o motorista me deixou perto da televisão. Peguei a ficha número 1.228, tinham mais de mil pessoas sonhando o mesmo sonho. Na fila, fiz amizade com um rapaz de Franco da Rocha (SP) que me ajudou muito na volta para rodoviária. Não me apresentei naquele dia, quando voltei, a Inês Guedes organizou um carro para se comprar uma peça, em São Paulo, no mesmo dia da minha apresentação. Me apresentei, mas um jurado chamado Messias disse que não gostava de pagode e me reprovou!

E quando acabou este grupo de pagode?

Um dia, às 20h, bati na casa do Canibal. Fui pedir para cantar na Banda deles.  Ele tinha uma banda chamada “Caminhão de Osso”. Era formada por ele, Evandro, Fi, Benê, Marçal, não me lembro se o Marquinho era dessa época… Pedi uma oportunidade, eu ia, se fosse possível, de graça… Queria cantar! Um dia, estava na Usina e o Canibal me chamou e informou que eu iríamos cantar em Miguelópolis. O bar chamava “Varanda”… Fui e cantei!!!

Aí deslanchou?

Aí, no ano seguinte, o Canibal pegou o carnaval de Guaíra. Ensaiávamos na casa do Marquinho Lacativa. Eram os meus ídolos que estavam cantando ali comigo, tinha a banda “Sem limite”, o “Remelexo”, eu babava vendo o Juliano cantar, o Rodrigo, eram feras cantando e eu tremia, mas a Fé e a determinação me salvaram mais uma vez. A pressão era muita! No primeiro dia de carnaval, fiz a abertura. Aí me perguntaram “Você não tem merecimento?” e eu respondi: “A minha luta é constante!”  Peguei na minha Fé em Deus e na oportunidade que se abria na minha frente! E enfrentei! E para piorar, a Suelen, que era a vocalista, me confidenciou que não daria conta de entrar no palco, ela estava travada! Incentivei e ela também foi, na raça! Arrebentamos (emocionado)!

E a dupla Wellington e Marcus?

Depois que passou o carnaval, não vi a hora de chegar a quinta-feira para ir até a casa do Marquinhos para propor uma parceria (muito emocionado). O Zezinho Lacativa, pai do Marcus, avaliou que poderia dar certo, “o Marquinho vai te ajudar”, ele profetizou! E realmente! O Marquinho é muito bom, é uma fera!! A música quer o Marquinho, mas o Marquinho não quer a música… Dali para frente, montamos a dupla… Entrou o Marcelo Junior na parceria e fizemos um bom trabalho!

Ficou mágoa?

Dificilmente uma dupla de Guaíra vai levar o nome desta cidade tão longe como nós levamos. Não há mágoas, não há ressentimentos… Mas levamos o nome de Guaíra na Bahia, fizemos a festa de 50 anos da Record na Bahia, lá essa rede de televisão tem mais penetração que a Globo! E não tivemos reconhecimento! Deus reconheceu, mas a história que eu e o Marquinho escrevemos em Guaíra ninguém vai apagar!!! Foram 13 anos de luta! Quantas vezes viajamos para São Paulo somente com o dinheiro do combustível, gravamos dois DVDs. Divulgamos nossa cidade pela região e fora dela. Uma luta!

Quais são os seus planos para a carreira solo?

Há casas de shows que conhecem a dupla Wellington e Marcus, não conhecem meu trabalho solo. Comecei do zero de novo.  Estou terminando um trabalho, em parceria com a Colorado, é um DVD, que não está pronto! Vendi meu carro e completei com um projeto que a Colorado aprovou e estamos prontos para começar a divulgação. Trabalho numa instituição que é uma bênção! Os eventos que faço dentro do Instituto agregam a minha marca, o “buteco do Wellington Miranda” que é feito em datas em que o clube está ocioso.

Futuro?

Sou muito grato a Deus! A vida está me mostrando que somos incoerentes, tenho muito que aprender ainda. Vejo vídeo de crianças com câncer, de pessoas com deficiências, brincando, rindo, felizes. Vendo isto, tenho que ficar feliz com o que Deus me deu! Mas, espero chegar a minha vez! Tenho capacidade e conhecimento para alcançar o que desejo!

Uma mensagem

É uma frase que trago comigo: a luta é constante, nada é fácil para ninguém, só que na Bíblia Deus deixou: “Nada é impossível, tudo é possível” e estou buscando este possível todos os dias.

Gratidão!

Tenho gratidão por Guaíra, muita gente ajudou a dupla Wellington e Marcus, o Carlos Zuquim e tantos que não dá para nominar… Gratidão pelo clube Colorado! Pela Escola Ana Lelis. Pelo Rafael Braguiroli, Inês Guedes, Josy Mendonça. Tenho gratidão pelo Marcelo Junior, pelo Marquinhos Lacativa, Marcelo de Freitas, pela empresa Anadré, pela Escola Santa Luz, pelos meus pais, que acreditaram no meu sonho, minha esposa, que é amiga, parceira, companheira, pelos meus filhos, que são a minha inspiração! Gratidão principalmente a Deus, de onde tiro minhas forças todas as manhãs!


TAGS:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS NOTÍCIAS EM Cidade
Ver mais >
Acompanhe nossas atualizações. Siga-nos