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Guaíra - SP

Entrevista da Semana

Cessa e suas conquistas à frente da escola Enoch

Cidade
Guaíra, 22 de Abril de 2018 - 10h09

 

 

 

 

 

 

 

 

Conceição Aparecida Tosta, mãe de Felipe – farmacêutico – e dos gêmeos Calil (médico) e Caio (agrônomo), é Diretora da Escola Enoch Garcia Leal. Cessa, como todos a conhecem, é também professora de Ciências com habilitação em Química e Matemática, é pedagoga e possui vários cursos adicionais, pós-graduações feitas na USP, na UNICAMP, MBA na Universidade Federal Fluminense. Sua gestão na escola Enoch é pautada pela ternura e pelo rigor em doses análogas, por isso é tão querida e respeitada. Cessa confessa seu amor por Guaíra e se diz feliz onde está! Tem tempo para se aposentar, mas não o faz porque Guaíra vai lhe fazer falta!!

 

Como escolheu Guaíra?

Sempre trabalhei com Educação e sempre gostei muito desta área. Certa vez, fui chamada na Escola Wiliam Amin, em Miguelópolis, para ser a vice-diretora. E me encantei com a direção! Realizei algumas coisinhas por lá e vi que era o caminho para melhorar a escola. Assim, logo apareceu um concurso, prestei com algumas amigas e não passei! Fiquei arrasada! Eu tinha estudado muito e depois entendi que ali estava, mais uma vez, a mão de Deus, porque se eu tivesse passado teria ficado em Miguelópolis e não era isso que Ele queria para mim. Queria algo melhor! No próximo concurso, me inscrevi e passei na Diretoria de São Joaquim da Barra em primeiro lugar e no Estado de São Paulo eu fiquei em vigésimo lugar. Com esta classificação, tive o privilégio de escolher a escola que eu queria. E quis a escola Enoch.

 

Por que o Enoch?

Eu trazia meus filhos e alguns amigos deles para estudar aqui, na Escola Ouro Branco. Conheci o Sr. João Maurício, a Neusa e sempre fui uma pessoa “de correr atrás” quando acho que é bom. O prefeito de Miguelópolis disponibilizou uma “Van”, nós pagávamos uma quantia por mês e cerca de quatorze alunos vinham, todos os dias, estudar aqui, dentre estes, estavam meus três filhos. Então, conheci na escola Ouro Branco alguns professores: a Dirceli, Lucimara, Neiva… Quando cheguei no Enoch para conhecer a unidade, me deparei com algumas dessas professoras.  Não tive dúvidas, mesmo com uma classificação que me possibilitaria escolher qualquer outro lugar, fiquei com o Enoch.

 

Uma escola tão grande não te assustou?

Não me assustou. Já tinha algumas experiências com instituições grandes, em Miguelópolis mesmo. E sempre fui muito animada. Por tudo que já passei na minha vida, acho que Deus me fez parte dos desafios, então, não me assustei, pelo contrário, eu queria vencer os problemas, trabalhar naquela escola, mudar, melhorar… Assim que cheguei muitas pessoas me disseram que a escola tinha quase dois mil alunos, era um poço de problemas…

 

E aí?

Não tive dúvidas! No dia da escolha telefonei para a Mariângela Prado, que eu já conhecia e confirmei: “Mariângela, escolhi o Enoch!”. Minhas amizades me deram força e me incentivaram a enfrentar as dificuldades, os tais desafios que Deus coloca na minha frente.

 

O que mais te gratifica hoje?

Como qualquer escola, nada é fácil. A sociedade mudou muito, o gestor tem que se desdobrar muito também! Mas as pessoas, as amizades me fizeram crescer como pessoa, como profissional, o apoio que sempre tive, o avanço dos alunos que hoje já se enxerga muitos deles saindo da escola e se realizando… Isso me gratifica muito. Conviver com os jovens é muito bom.  Há uma troca de energia que não deixa o espírito envelhecer.

 

Como é Guaíra para você?

A população desta cidade me acolheu com muito respeito e carinho. Então há o reconhecimento por eu ter dado meu melhor e continuo dando o meu melhor… Então, com minha chegada, não a Cessa sozinha, mas com a comunidade, com os professores, funcionários, pais, que acreditaram no meu trabalho, estamos deixando uma escola melhor. Hoje, o Enoch tem outra identidade, foram 16 anos de trabalho, um trabalho conjunto, com o pessoal acreditando na minha pessoa. Muitos achavam que eu não iria ficar, que iria embora!

 

Então foi difícil?

Acontece que, na época, eu não era somente a Diretora daqui, depois que eu chegava em casa tinha que dar aulas. Eu dava aula no Wilian Amin e ainda em São Benedito da Cachoeirinha, que era um distrito de Ituverava, onde completava minha carga horária. Eu tinha que fazer isso pelos meus filhos! Precisava dar a eles aquilo que eu acredito até hoje que molda a disciplina, o caráter, o conhecimento, que é a Educação! Sempre fui uma mãe muito presente e tinha que fazer com que eles acreditassem que a escola, as tarefas, os estudos, a responsabilidade, formam um conjunto de energia juntamente com as pessoas amigas, para alavancar o futuro melhor.

 

É bom rever os ex-aluninhos?

Hoje (sexta-feira, 20)  mesmo tive uma turma de palestrantes na escola, que foram alunos que passaram por lá e estão agora dando exemplos para aqueles que ainda estão nos bancos escolares. São agrônomos, advogados, médicos, dentistas, psicólogos, empresários bem sucedidos que estão dando testemunhos de vida. E todos eles passaram por lá. Não há nada mais gratificante quando eles entendem que somente através da Educação é que se transformam vidas.

 

Recentemente você recebeu uma placa de homenagem oferecida para as mulheres em destaque!

Realmente, me senti muito agradecida! Me senti mais honrada e mais privilegiada ainda por eu não ser daqui. Mas, me enxergaram, não importa se sou ou não sou da cidade, o importante foi o trabalho desenvolvido.

 

O que foi feito na parte física da escola recentemente?

Mais recentemente ganhamos do Sr. Jonas Lellis 300 metros de grama, que já está colocada. Fizemos uma pintura nas paredes da escola, pintamos também os muros, colocamos umas orquídeas, umas samambaias e o ambiente já se modificou. Ficou mais arejado, mais gostoso, maravilhoso, suavizou, parece que até as salas que estão ali por perto ficaram mais ventiladas. Está lindo. Estamos sempre buscando algo para fazer!

 

Ainda há muito por fazer?

Sempre tem! Por exemplo: é necessário trocar o piso da parte externa, mas a prioridade é trocar a parte elétrica. Já pedi ao deputado Roberto Engler e também para a Diretoria do Estado, porque a carga elétrica da escola é muito grande e o transformador não é suficiente. Temos até alguns aparelhos de ar-condicionado, mas não estamos podendo ligar porque a energia cai, podendo até causar um curto-circuito. Já foi solicitado ao FDE – Fundação de Desenvolvimento para a Educação – e já vieram alguns engenheiros. A escola funciona cedo, à tarde e à noite, são computadores ligados, lâmpadas, ventiladores, a carga é muito grande. Há também problemas na parte hidráulica, toda tubulação é muito velha.

 

E na parte pedagógica?

Faltam professores. Houve uma contenção de gastos por parte do governo. Antes podia-se abrir sedes, hoje, não há mais esta possibilidade, o professor tem que se inscrever nas Diretorias e conforme as necessidades, abre-se um contrato. Isto regulou demais porque se faltar professor, não temos substituto e isto impacta negativamente no aprendizado.

 

E a Fanegal?

A Fanegal foi resgatada em 2007, 2008. Antes, tivemos que organizá-la em todos os aspectos. Foi muito gratificante, na época, Prof. Álvaro foi chamado para auxiliar; a Câmara ajudou com um dinheiro que poderia ser devolvido para a prefeitura, mas foi direcionado para fanfarra. O prefeito também auxiliou. Então me lembro – com orgulho – que ia para São Paulo, trazia no ônibus caixas e caixas de adereços, de tecidos, de adornos, enfeites, aviamentos. Fui para Franca fazer as botas, todas iguaizinhas. A Alcídia confeccionou os uniformes, foi uma emoção. Pessoas choravam de ver a Fanegal outra vez. Acontece que a Escola Enoch não consegue, sozinha, manter a fanfarra. É preciso de um maestro, o Marcos Barros é uma figura importante, é um apaixonado pela fanfarra, mas tudo foi ficando difícil e a prefeitura deixou de ajudar. Nada se faz da noite para o dia. E os alunos foram dispersando, o Marcos e eu tínhamos planos de se fazer uma bandinha para “segurar” os alunos, mas, infelizmente, não deu certo.

 

Gratidão

Não dá para agradecer cada um dos guairenses em particular, então, deixo minha gratidão a todos que aqui residem e que são pessoas especiais e deixo afirmado que os melhores momentos da minha vida eu passei aqui. Quero reiterar um amor por esta cidade. E dizer que aqui, sou muito feliz!


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