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Entrevista da Semana

Tatiana Roca: o quanto a corrida mudou sua vida

Cidade
Guaíra, 29 de julho de 2018 - 07h30

 

 

 

 

 

 

 

 

Tatiana Alves Andrade Roca é professora de pedagogia, casada com o professor Paulo Roca, mãe de Isabela, de 22 anos, que nesse ano se forma em direito. Tatiana é funcionária pública, trabalha principalmente com alfabetização das crianças de primeira e segunda séries. É efetiva no município há 13 anos. Elegante e simpática, mantém o mesmo peso há anos e não se importa quando alguém fala: “você é Tatiana que corre?”, porque adotou esta prática saudável que gostaria de ver difundida em todas as idades.

 

É também professora de Educação física?

Todo mundo pensa que sou professora de Educação Física, mas não sou. Gosto de atividades físicas desde quando era criança, minha mãe sempre me incentivou para fazer natação, balé, etc.

 

 

 

 

 

 

 

Quando começou sua paixão pela corrida?

Quando comecei a namorar meu marido, isso há uns 19 anos, ele era o atleta! Sempre me dizia: “Vamos correr a lagoa”, mas eu sempre respondia: “Ah, mas não tem mulher nenhuma correndo”. Porém, ele me incentivou e comecei aos poucos, plaquinha por plaquinha, corre uma e anda uma… Quando me dei conta, já estava correndo uma lagoa, depois duas, e aí vai ficando pouco. Porque corrida é assim, vai se tornando um vício, um vício bom, saudável, é uma coisa muito boa que você agrega para sua vida e quer cada vez mais. A pessoa corre cinco, quer dez, quer quinze e por aí vai.

 

Já correu alguma maratona?

Esse ano eu fiz minha primeira maratona no Rio de Janeiro; foram 42 km. Ela me marcou muito, porque estava sentindo muita dor e quis parar no meio da corrida… Aí apareceu um senhor de 78 anos, chamado Leão (foto). Ele me viu e disse: “vamos, você consegue, corra junto comigo!” Ele me incentivou, chegamos juntos até o quilômetro 38, mas diminui meu ritmo, ele seguiu correndo, respirei fundo e consegui alcançar a linha de chegada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E as corridas?

No meu aniversário de 39 anos, decidi que queria participar de uma corrida, dessas que eu via na televisão e tinha uma aqui pertinho, era a primeira edição da corrida de Integração de Ribeirão Preto, que aconteceria um dia antes do meu aniversário. Então, reuni alguns amigos de Guaíra e levei todos para participar, inclusive meu marido. Fizemos a inscrição de todos e comemoramos meu aniversário nessa corrida.

 

Não parou por aí?

Quando tinha 40 anos, corri a meia maratona, que são 21 km, amei esta modalidade e se tornou a minha distância preferida. Nessa mesma época decidi que, quando estivesse para completar os 42 anos, iria participar da minha primeira maratona.

 

O que você sente quando corre?

A energia que se sente nessas corridas é muito boa, indescritível.  Conhece-se muitas pessoas, todas de bem com a vida, animadas. Até hoje, participei de 26 provas desde 2015, comecei com as de 10 km, mas correr 10 km começou a ficar pouco. Então, decidi fazer meia maratona, que dá um total de 21 km. Depois, quis partir para corrida de montanha e me apaixonei! Hoje, a minha paixão é essa.

 

Como é essa corrida de montanha?

É feita nas montanhas, sabe quando as pessoas vão para as praias e quando se sentam na areia veem aqueles morros? Nós atravessamos, passamos na praia, atravessamos, passamos para outra. No caso da Serra da Canastra, por ser na serra, você passa por cachoeira, correndo e andando. Eu já fiz em Ubatuba, Maresias e Serra da Canastra.

 

Você treina somente na lagoa?

Para treinar 21 km na lagoa não dá, então eu comecei a ir para as pistas, para as estradas. Faço muito treino daqui até na ponte que liga Barretos a Guaíra, vou até aquele restaurante, almoço e volto. Hoje em dia, gosto muito de mato, se me perguntarem se prefiro ir ao shopping ou em uma cachoeira, com certeza a cachoeira.

 

Em que pensa quando está correndo?

Quando se está correndo passa tudo na sua cabeça, aquilo é a superação de um desafio, vem um sentimento de agradecimento, porque se sente que aquilo que você está se propondo a fazer está conseguindo!!! É uma reflexão da vida mesmo.

 

O que você diria para quem quer começar a correr?

A primeira coisa que uma pessoa, que quer começar a correr, precisa saber é que deve procurar um profissional, um cardiologista, ou um médico que diga que está liberado. E tem que saber que esses lugares em que a gente vai, essas competições, não é só para profissionais, muitas pessoas me perguntam “o que você ganhou?” “Mas você paga para fazer a inscrição?” É difícil falar para as pessoas que não estão lá, é difícil para elas entenderem o sentimento gratificante que é a gente participar dessas corridas, não tem dinheiro que pague, no fim, é até barato.

 

Então, é muito gratificante?

É sim. Todas as vezes que marco uma viagem, que agendo uma corrida, sei que vai acrescentar na minha vida. E hoje, os lugares mais bonitos que conheci foi correndo. Então, é um investimento que você faz em você mesma. Eu sou uma pessoa que corre dentro do meu limite, mas sempre o superando, porque você nunca vai em uma corrida pensando que tem que subir no pódio, ou que tem que ganhar troféu. Mas sim se superar, você tem que ser melhor hoje do que foi ontem. Dessa forma, vai chegar uma fase que você vai querer só continuar correndo.

 

Você se inspirou em alguém?

A mulher que foi minha inspiração para começar a correr foi a Nádia, eu a vi correndo e pensei “se ela consegue correr, eu também consigo”. Hoje ela não mora mais aqui, mas sei que continua correndo, porque já a encontrei em São Paulo.

 

Esse esporte é uma prioridade na sua vida?

Pode-se dizer que sim!  A corrida é um investimento, eu a priorizei, pois no meu guarda-roupas hoje não tem mais sapatos, tenho apenas uma bolsa, vários tênis de corrida… É um pequeno sacrifício para o ganho que ela me traz.

 

Como é sua alimentação?

A minha alimentação é o meu ponto fraco, cheguei a fazer um tratamento com uma nutricionista, sei o que devo ou não comer, mas como de tudo. Não me privo de nada, se estou com vontade de tomar um sorvete eu vou e tomo, amo doces, e a minha cervejinha de final de semana, que é o meu momento de relaxar. Meu peso é o mesmo desde meus 15 anos, minha numeração continua a mesma.

 

Gostaria de agradecer?

Agradeço primeiramente a Deus, depois ao meu marido, que me incentivou, e incentiva até hoje… Quando fui fazer a minha primeira corrida na montanha, ele me pediu uma foto, mandei e quando cheguei ele tinha mandado fazer um quadro meu. Ficou lindo!


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