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Guaíra - SP

Guaíra sente efeitos da greve dos caminhoneiros

Mesmo com os problemas que o município deve enfrentar com a paralisação, população apoia iniciativa da classe de protestar contra o Governo Federal. No quarto dia da greve, Guaíra já registrou filas em postos de abastecimento e a falta do combustível

Cidade
Guaíra, -

Filas gigantescas foram registradas nos postos de abastecimento da cidade o que gerou falta do combustível

 

 

 

 

 

 

 

 

O país depende fortemente do transporte rodoviário para transportar bens, pessoas e produtos – inclusive matérias-primas e insumos como os combustíveis, e como Guaíra não é uma ilha, na tarde de ontem já começava a sentir os efeitos da greve dos caminhoneiros.

Diferentemente de outros países com território de tamanho parecido, o Brasil tem poucas linhas de trens para escoar a produção – são 29 mil quilômetros de ferrovias, contra 86 mil km na China, 87 mil km na Rússia e 225 mil nos EUA. Os dados são da consultoria de logística Ilos.

O resultado é que, hoje, 90% dos passageiros e 60% da carga que se deslocam pelo país são movimentados em rodovias, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade sindical das empresas do setor.

Ao longo dos últimos dias, os caminhoneiros grevistas também fizeram bloqueios em pontos estratégicos, como a saída de refinarias da Petrobras e a entrada do porto de Santos, em SP, dificultando ainda mais o escoamento das mercadorias.

No final da manhã de ontem ocorreu uma corrida de condutores de veículos aos postos de combustíveis da cidade. Filas enormes foram registradas em vários postos. Nossa reportagem registrou aumento de preços em apenas um posto de combustível da cidade. A gasolina que antes era comercializada a R$ 3,89 saltou para R$ 4,19.

As filas de veículos foram registradas em todos os oito postos de combustíveis da cidade. Por volta das 14 horas, o Posto Guaíra, do Grupo Aguetoni, informava a suspensão do abastecimento por falta do produto. As 15 horas, o Posto Califórnia, da mesma empresa, contava apenas com gasolina aditivada.

Nas redes sociais, guairenses manifestaram apoio à paralisação dos caminhoneiros pelo país, destacando ser uma ação justa. Por outro lado, criticavam a corrida até os postos de combustíveis. Para alguns, a procura pelo produto deveria ser mais cautelosa.

EMPRESÁRIO PREOCUPADO

 

 

 

 

 

 

 

Nossa reportagem manteve contato por telefone com o empresário Aluisio Aguetoni, proprietário do Grupo Aguetoni, que possui quatro postos de combustíveis na cidade e atua no ramo de transportadora de cargas.

Ele informou que manteria os preços dos combustíveis sem alteração até que o produto acabasse em seus postos de abastecimento. Aguetoni demonstrou preocupação com a situação da paralisação, uma vez que caminhões de sua frota também estavam paralisados em bloqueios dos grevistas.

SITUAÇÃO DA FROTA DA PREFEITURA

Em contato com o Departamento de Comunicação da prefeitura, nossa reportagem obteve a informação de que assim como a população que está sofrendo com a ameaça da falta de combustível, o poder público também sentirá as consequências da paralisação.

Com a desativação dos tanques existentes no Almoxarifado Municipal, a frota de veículos da prefeitura também é abastecida na iniciativa privada. Com isso, se não existir uma decisão e uma suspensão da greve nos próximos dias, é bem provável que serviços essenciais, como transporte de ambulância, possam ser prejudicados pela greve.

A prefeitura já sente o problema. Veículo da empresa contratada para fazer substituições de lâmpadas da iluminação pública está parado na estrada devido aos bloqueios dos caminhoneiros, sem previsão de chegada ao município.

USINAS PODEM PARALISAR

Existe informação de que as usinas de açúcar e álcool de Guaíra podem suspender suas atividades caso a paralisação dos caminhoneiros continuem afetando o abastecimento de combustíveis e impedindo o trânsito de seus veículos.

As empresas possuem estoque de etanol, mas não de diesel. A frota de caminhões é abastecida por diesel. Veículos que precisam se deslocar a outros municípios não foram deslocados devido o receio de que os mesmos sejam parados nos bloqueios dos caminhões.

Com isso, as empresas podem sofrer com a falta de peças de reposição na sua linha de produção. Caso a greve dos caminhoneiros não tenha uma solução, existe possibilidade das usinas paralisarem parte da produção de açúcar e álcool no município.

 

 

 

 

 

 

 

 

Entenda a paralisação dos caminhoneiros

Não existe uma organização que possa ser apontada como líder da paralisação – na verdade, a proposta de greve começou a circular de forma espontânea em redes sociais e grupos de whatsapp de caminhoneiros. Mas uma das principais entidades envolvidas é a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que congrega a maioria dos sindicatos de motoristas autônomos.

Outros sindicatos de caminhoneiros se juntaram aos protestos ao longo dos dias, como a Associação Brasileira de Caminhoneiros e a União Nacional dos Caminhoneiros do Brasil. O movimento acabou engrossado pelos caminhoneiros de frota também – isto é, por aqueles que são contratados, com carteira assinada, por transportadoras.

AS REIVINDICAÇÕES

A principal exigência é a queda no preço do óleo diesel: segundo os representantes dos transportadores, o custo atual do óleo torna inviável o transporte de mercadorias no país.

Para reduzir o preço do diesel, as entidades querem que o governo estabeleça uma regra para os reajustes do produto – hoje, os preços flutuam de acordo com o valor do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar.

Além disso, há outras reivindicações na pauta dos caminhoneiros, diz Ariovaldo de Almeida Silva Júnior, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros (Sindicam) de Ourinhos (SP). “Queremos também a isenção do pagamento de pedágio dos eixos que estiverem suspensos (quando o caminhão está vazio e passa a rodar com um dos eixos fora do chão). Defendemos a aprovação do projeto de lei 528 de 2015, que cria a política de preços mínimos para o frete, e a criação de um marco regulatório para os caminhoneiros”, lista ele.

 

 

 

 

 

 

 

 

Reunião para tentar trégua com caminhoneiros

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou em entrevista coletiva nesta quinta-feira, que uma reunião que seria realizada ontem entre governo e representantes dos caminhoneiros “poderia resultar numa trégua”.

Nos últimos dias, o governo vem buscando alternativas para o encerramento da mobilização dos caminhoneiros. Na quarta-feira (23), houve uma primeira reunião no Palácio do Planalto com a categoria.

Marun explicou que, na ocasião, foi apresentada uma pauta de reivindicações dos caminhoneiros. Ele lembrou que já foram tomadas medidas, como a decisão da Petrobras de reduzir 10% o preço do diesel vendido pelas refinarias por 15 dias.

Segundo ele, a posição da Petrobras permitiu avanços em duas questões defendidas pelos caminhoneiros: redução do preço e previsibilidade nos valores cobrados pelo diesel. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o resultado da reunião.


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