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Membro da comissão organizadora esclarece pontos polêmicos da Festa do Peão

Inara Lacativa falou sobre o roubo das pulseiras de acesso ao recinto; atitudes da equipe de segurança quanto a algumas decisões; o prejuízo de fãs que não puderam ter acesso aos camarins de seus artistas favoritos, entre outros

 

Cidade
Guaíra, -

 

 

 

 

 

Em entrevista ao Jornal O Guaíra, na manhã desta segunda-feira (21), a proprietária deste veículo e membro da comissão organizadora da 25ª Festa do Peão de Guaíra, Inara Lacativa Bagatini, apresentou esclarecimentos sobre diversos pontos polêmicos questionados durante o evento deste ano.

Entre as discussões, o roubo das pulseiras de acesso ao recinto; a atitudes da equipe de segurança quanto a algumas decisões, como entrada de permanentes, deficientes e estudantes; o prejuízo de fãs que conquistaram a pulseira mas não tiveram acesso aos camarins de seus artistas favoritos; etc.

Inara iniciou a conversa sobre a questão mais polêmica da festa: a retirada de algumas pulseiras de credenciamento, provavelmente por parte de um ex-funcionário contratado para trabalhar na festa, para a venda ilegal das mesmas.  Os seguranças foram chamados e flagraram uma mulher vendendo essas pulseiras na rua. Ao rastrear, descobriu-se quem era o suspeito, que foi levado para a delegacia. Os membros da comissão, inclusive, fizeram um boletim de ocorrência contra o ex-funcionário e a suspeita.

Confira a entrevista:

Como ocorreu esse roubo de pulseiras de acesso à Festa do Peão?

No segundo dia de festa, eu estava no recinto e recebi uma mensagem no Facebook de uma conhecida me questionando se seria possível alguém vender mais de 20 ingressos de camarote (que custam R$ 500) por um valor muito baixo, sendo cada um por R$ 300. Entrei em contato com ela, que me explicou tudo. Mostrei para o chefe da segurança que  entrou em contato com esta “vendedora” e a mesma estaria na entrada da festa para entregar o ingresso pelo preço solicitado. Chegando lá, constatou-se que eram pulseiras. Graças a essa moça, que pediu para não ser identificada, conseguimos flagrar uma mulher vendendo pulseiras ilegalmente. Ela foi levada para dentro do QG pelo chefe de segurança. Em reunião feita na hora, chamamos a polícia e descobrimos quem provavelmente tinha repassado essas pulseiras para ela, era um funcionário que estava trabalhando para a festa do peão, contratado pelo financeiro da comissão e não por mim, que prefiro não citar nomes para não comprometer as investigações. Nesse meio tempo, a mulher fugiu, mas já tínhamos os dados dela e fizemos o boletim de ocorrência.

Foi uma situação muito triste, mas conseguimos levar a pessoa para a delegacia e fizemos boletim de ocorrência. O delegado nos recebeu muito bem e disse que vai investigar a fundo.

 

 

Houve denúncias também de que os seguranças tomaram as permanentes de algumas pessoas e barraram a entrada de estudantes com carteirinhas da Anhanguera. Por quê?

Muitos visitantes reclamaram que, no primeiro dia da festa, 16 de maio, como haviam comprado a noite de permanentes de outras pessoas (que muitas vezes vendem os dias que não comparecem ao evento), foram barrados pelos seguranças, que até mesmo chegaram a tomar os cartões de suas mãos.

A gente tentou dividir algumas tarefas, apesar de eu ter ficado extremamente sobrecarregada, mas essa parte de segurança eu não tive envolvimento. Nem participei da reunião com a empresa responsável por este setor. Conheci o chefe de segurança no primeiro dia. Foi uma empresa que recebemos indicações e contratamos.

Bom, uma segurança me abordou no primeiro dia com muitos cartões na mão e disse que estava tomando as permanentes de muitas pessoas, já que passavam o cartão para outra pessoa e iam embora. Eu vi que o número do bilhete era original e falei que não era para tomar essas permanentes, porque isso aqui em Guaíra é normal, de a pessoa repassar para outra o convite da noite que ela não vai. Ela passou rádio na minha frente para os outros seguranças dizendo que não era para pegar, mas, durante a festa, fiquei sabendo que continuou ocorrendo e não sei de quem veio essa ordem.

Eles também chegaram a barrar estudantes que estavam com carteirinha impressa da faculdade Anhanguera e eu disse que não era para acontecer isso, porque valia.

Resolvi muitos problemas que não eram minha parte, mas até eu fui barrada! Discuti com os seguranças porque eles estavam impedindo as pessoas de entrarem na boate do camarote – que tinham o direito de entrar – e eles me disseram que seguiam ordens do chefe da segurança, que não se reportava a mim, mas a outro membro da comissão.

A minha orientação para quem foi lesado é para que se faça boletim de ocorrência.

Se você foi maltratado ou injustiçado, faça boletim de ocorrência.

 

Alguns internautas também confundiram a festa, que é particular, como sendo de responsabilidade da prefeitura e, inclusive, culpando o prefeito por alguns erros e pedindo para que pessoas de Guaíra fossem contratadas para o evento. Explique essa situação.

A 25ª Festa do Peão não utilizou dinheiro público. O evento foi particular, apenas com o apoio da prefeitura por ceder o espaço do recinto. Então, não é necessário contratar empresas através de licitação. Assim, buscamos firmas que estivessem de acordo com as normas e exigências, como a de segurança, fez parte também da Festa do Peão de Barretos e tinha todas as autorizações da Polícia Federal. Não imaginávamos que ocorreriam tantos problemas. Mas são dos erros que a gente aprende a fazer direito.

 

RsE as pessoas sorteadas para entrar no camarim do Gusttavo Lima, por que foram impedidas de conhecer o seu artista favorito?

Conversei e pedi o aval da comissão organizadora para sortear, anteriormente à festa, algumas pulseiras de acesso ao camarim, porque no ano passado fiquei indignada de acompanhar e ver que são sempre as mesmas pessoas que conseguem entrar no camarim e ter acesso aos artistas, deixando o restante dos convidados sem a oportunidade de participar disso. Então, fizemos esse sorteio para tentar mudar isso nesse ano. E desde o início eu briguei por isso.

Nas duas primeiras noites, os shows do Michel Teló e Henrique & Juliano, que foram conquistados através do Bodinho, presidente da Festa do Peão de Barretos – uma pessoa que não mediu esforços para nos ajudar – consegui dar acesso para esses fãs sorteados pelas redes sociais. Mas, na sexta-feira, no show do Gusttavo Lima, fiquei tão indignada com essa situação, de barrarem as pessoas, que não consegui nem ficar atrás do palco e acompanhar, porque deram prioridade para um certo grupo de pessoas, conhecidas de alguns membros da comissão, e não deixaram entrar aquelas que tinham conquistado o acesso através dos sorteios. Foi ridículo. A festa é da população, que tem o direito de entrar no camarim também. Isso foi a gota d’água com a minha situação com o restante da comissão.

Como tudo isso ocorreu, consegui, através do Bodinho novamente, uma grande novidade para esses fãs que não puderam ver o Gusttavo Lima e agora, eles serão convidados a participar do show dele na Festa do Peão de Barretos, com tudo pago, e alguns, inclusive, poderão acompanhar a apresentação de cima do palco!

 

Quanto aos camarotes, por que a alta de preços nas bebidas e também na entrada de garrafas de bebida?

Foi uma questão muito discutida com os membros da comissão. Discuti bastante com eles sobre isso, inclusive também sobre os estacionamentos, mas fui voto vencido, assim também como o Persio. Ficamos contentes por uma empresa de Guaíra ter comprado a “praça” (responsável por comes e bebes), mas cheguei a apresentar outras opções, como o patrocínio da Brahma, que assumiria a praça e oferecia um valor menor. Mas eles foram irredutíveis.

Eu tomaria conta da parte da comunicação, o Tonim Mendonça e o Zé Mendonça  com a segurança; o Jonas rodeio e o Jamil financeira e a parte de estrutura também o Zé Mendonça. Então, a parte de comunicação seria a minha parte, mas não sei se por eu ter mais disponibilidade de tempo, acabei resolvendo muita coisa que não era da minha ossada.

 

Por que as pessoas com deficiência não tiveram estacionamento dentro da festa e pagaram meia entrada?

Também não foi decisão só minha. A comissão decidiu pela meia entrada para as pessoas com deficiência. Quanto ao estacionamento dentro da festa, foram feitos 50 adesivos de autoridades para isso e não sobrou nem pra mim. Eu fiquei sem, o Persio ficou sem e até cheguei a ser barrada na portaria quando cheguei. Tive que pegar o adesivo do Danilo (funcionário da festa) para conseguir entrar. Quando questionei sobre os adesivos para as pessoas com deficiência, falaram que não tinha mais. Tentei de todas as formas organizar isso com a equipe de segurança, mas não liberaram para entrar e não consegui mandar fazer mais adesivos.

Os adesivos foram distribuídos para as autoridades através de responsabilidade do Zé Mendonça, que inclusive deu para os vereadores. O prefeito não quis pegar, não achou justo e pagou o estacionamento dele.

 

Surgiram muitos boatos e acusações contra sua pessoa. Por que seu nome foi envolvido com tanta polêmica?

Cheguei a ser acusada de vender ingresso mais barato pelo próprio chefe de segurança, que chegou a dizer que eu estava comercializando através da minha rede social Facebook, totalmente sem cabimento. Pela calúnia, lavrei um boletim de ocorrência contra ele. Isso é um absurdo. Até porque eu não tinha acesso aos ingressos de R$ 500, que eram as permanentes de camarote. Jamais faria isso.

Se algum comprou ingresso ou pulseira de mim nessas condições pode aparecer, porque eu sei que não há ninguém, porque não fiz isso.


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