Não basta ser fã

Fã do PT de carteirinha, Nena Maria Cristina dos Santos viajou por 60 horas da Bahia até o Paraná para apoiar Lula, mas se decepcionou porque está desempregada, sem dinheiro para pagar passagem de volta e ainda teve que vender a moto para arcar com as despesas da ida. “Se eu conseguir arrecadar dinheiro para voltar para casa vou ficar muito feliz e talvez eu faça uma nova tatuagem, com o nome de Lula, porque ainda tenho esperança nele”, disse Nena.

“Há claramente perseguição a um partido”, diz Nena, “Lula não é imune à lei. Se for provado [que é culpado], tem que pagar. Seria uma decepção, ele é um líder. Mas até agora não tem nenhuma prova [contra o ex-presidente]. Acreditamos na palavra dele. É por isso que estamos aqui em Curitiba” explicou a desempregada de 48 anos.

Integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a fé na inocência do ex-presidente levou também Venâncio a viajar 2.076 quilômetros entre Barreirinha – na Bahia, à capital paranaense. Ele e colegas de MST saíram de lá segunda-feira e só retornaram ao acampamento montado pelo Frente Brasil Popular num terreno na região central de Curitiba, às 10h da quarta-feira, dia da audiência.

“Lula é o nosso líder, Por isso apoiamos o PT e sabemos que Lula será inocentado pelo Juiz e ainda vai ser nosso presidente pelos próximos 8 anos”, afirmou o Militante do PT desde 1991.

Tanto Nena como Venâncio são pessoas que engrossaram o movimento em Curitiba, comeram pão com mortadela, abanaram as bandeiras vermelhas porque tinham convicção, pelo menos sabiam o porquê de estarem ali.

No entanto, muitos não sabiam. Não sabiam sequer que Lula estava respondendo a um processo. Ficaram mal acomodados, voltaram de ônibus lotado enquanto o motivo de tanta admiração voltava para casa de jatinho.

Coisas de quem é fã.

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