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O violeiro

O jovem guairense Arthur Violeiro é um talento nato. Com a viola no peito emociona e encanta com belíssimas interpretações da música raiz. Prestes a iniciar a faculdade de Direito, ele diz que não abandonará a música, para a felicidade dos seus fãs 

Cidade
Guaíra, 2 de Fevereiro de 2018 - 10h17

Arthur Violeiro em uma de suas apresentações musicais

No ponteado da viola, ele faz melodia… Com sua voz forte, ele canta poesia. Estamos falando do jovem Arthur Talarico, 17 anos, que desde os três anos de idade já encanta pelo talento com o instrumento musical e, principalmente, a interpretação das músicas.

Filho do casal Rafael Talarico e Renata de Oliveira Bondezan, Arthur é irmão de Lara Bondezan Talarico. Estudou por sete anos no Colégio Santa Luz – COC e acabou de ser aprovado no curso de Direito pela Faculdade de Direito de Franca (FDF).

É um talento nato que está sendo lapidado pelas cordas da sua própria viola e pelo amor e admiração que tem pelos compositores e intérpretes da música raiz. Talarico possui uma coleção de discos vinil, que acabaram se tornando um hobby, e continua na busca por novos exemplares.

Segue mestres da viola como Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e José Rico, João Mineiro e Marciano, Belmonte e Armaraí e Pedro Bento e Zé da Estrada, mas não deixa de apreciar outros nomes, como Zézé di Camargo e Luciano, João Paulo e Daniel e Chitãozinho e Xororó.

Para Arthur, a música raiz lhe atrai por diversos motivos: tanto pela pureza e realidade das letras, quanto pela beleza das melodias feitas pelos instrumentistas. “Apesar de conhecer vários artistas, sempre busco pesquisar mais para obter o máximo de conhecimento possível, seja pela internet, ou por recomendação de alguém”, comenta.

Esse gosto pela música raiz vem de família e já na infância soltava a voz. “Minha família gosta muito de música sertaneja, então, eu sempre ouvia quando era criança. Quando tinha, mais ou menos, três anos, cantava por aí as músicas do Rionegro & Solimões para as pessoas que apareciam. Depois, a coisa foi ficando mais séria”, relembra ele.

Mas, foi quando encontrou o violão que sua irmã Lara havia ganhado dos avós Jim e Fátima (pais de sua mãe) que, aos nove anos, resolveu aprender mais sobre o instrumento. Porém, acabou desistindo. Isso já era um sinal de que o que levaria seus passos à música seria a viola caipira. “Ganhei uma viola caipira do meu tio Ricardo, irmão do meu pai. Tive vários professores que me ensinaram os primeiros acordes, como o Luiz Celso e o Vinícius Ananias, mas eu não tinha paciência para aprender. Decidi começar a tocar de ouvido com uns 12 anos e acabou dando certo”, conta.

Arthur não só se tornou um músico, como também um estudioso da música caipira. Ele pesquisa, busca informações sobre compositores, datas de gravações e sucessos das duplas. “Para mim, a história da música é de suma importância, porque, dependendo da canção, fala sobre fatos acontecidos na época em que foi lançada, como letras que retratam o momento político do país. Quanto ao fato de dizer os compositores, eu penso que não devemos deixar no esquecimento as pessoas responsáveis por letras tão maravilhosas. As datas das gravações eu sempre destaco porque, se alguém quiser ouvir a música com o cantor original, encontrará mais facilmente na discografia do mesmo”, reconhece o violeiro.

O RECONHECIMENTO

Durante a realização da Feira Agropecuária de Guaíra (FAIG), em setembro de 2017, Arthur Talarico teve a oportunidade de subir ao palco e apresentar todo o seu talento para o público. Recebeu a oportunidade dos organizadores de cantar músicas com cantores principais, como o cantor Matogrosso, da dupla Matogrosso & Mathias.

Além disso, sempre é convidado por amigos e familiares para pequenas apresentações, onde faz o que mais gosta: cantar. Com o crescimento das redes sociais, ele utiliza também seu perfil no Facebook para promover, direto do seu quarto, transmissões ao vivo, as quais canta uma seleção de músicas e também atende pedidos. Seus encontros com os fãs internautas sempre rendem elogios e o talento do garoto vai sendo divulgado pelo mundo afora.

Ao ser questionado se a música é só um hobby ou pretende um dia seguir carreira, Arthur deixa claro que o futuro a Deus pertence. “Todos nós temos os nossos sonhos, mas sempre há alguns empecilhos. Sempre há o medo de entregar tudo na mão da música e acabar não fazendo sucesso. Por esse fato, a música pra mim é só um hobby. Se surgir alguma oportunidade maior, posso pensar em algo de maior escala”, retrata.

MAZZAROPI E CARROS ANTIGOS

Com a enxurrada de informações que chegam por meios das redes sociais, os lançamentos de filmes e séries a todo momento que atraem a atenção dos jovens, quem imaginaria que, aos 17 anos, Arthur Talarico seria fã de Mazzaropi? Isso mesmo. Aos oito, ele conheceu o talento deste artista brasileiro por indicação dos avós paternos, Benedita e Roberto Talarico. O primeiro filme que assistiu foi “O Jeca e a Freira” (1967).

O violeiro, inclusive já visitou o Museu de Mazzaropi. “Logo depois, tive vontade de assistir toda a filmografia dele. Eu gosto de seus filmes porque não têm nada de obsceno, além de ser divertido e retratar a ingenuidade do caipira através da espontaneidade da atuação de Mazzaropi. Tenho todos os filmes dele”, confidencia. Outra paixão são os carros antigos. “Quanto aos carros antigos, comecei a gostar através do meu pai. O que mais me atrai é o Corcel”, explica.

AGRADECIMENTO

Arthur encerra a entrevista fazendo um agradecimento a todos que incentivam e valorizam seu talento. “Gostaria de agradecer imensamente a todos os admiradores do meu trabalho e digo que podem esperar de mim o mesmo ‘Arthur Violeiro’ de sempre: com o mesmo de jeito de cantar, com o mesmo tipo de canções e que sempre pretende buscar fazer o melhor para vocês. Este ano, posso não aparecer com tanta frequência por aí por conta dos estudos, mas não deixarei de cantar. Peço a todos que curtem o meu trabalho, que sigam a minha página do Facebook para receberem mais músicas e informações sobre mim. Agradeço ao Jornal O Guaíra pela entrevista e espero que a mesma possa esclarecer algo sobre mim para vocês. Forte abraço a todos!”

Arthur durante apresentação na FAIG do ano passado

Alguns momentos de Arthur ao lado de sua irmã Lara com artistas

Arthur quando conheceu o museu de Mazzaropi


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