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R$ 2 em cada conta de água de Guaíra geraria R$ 32 mil mensais à Santa Casa

Das mais de 16 mil ligações de água existentes no município, apenas 687 contribuintes autorizaram descontar valores para repasse direito ao hospital, que passa por sérias dificuldades financeiras

Cidade
Guaíra, 22 de Fevereiro de 2018 - 09h54

A Santa Casa precisa do auxílio de toda a população para sair da crise financeira

A Santa Casa de Misericórdia de Guaíra vive uma das piores crises da história de nosso município. Foi anunciado na última semana que existe uma dívida que ultrapassa os R$ 6 milhões, o que tem comprometido diretamente a área administrativa do único hospital da cidade.

Essa dívida é fruto de uma intervenção desastrosa promovida na gestão do ex-prefeito Sérgio de Mello, que nomeou uma provedoria que não fez a aplicação correta dos recursos públicos destinados à entidade e ainda deixou um saldo negativo na área financeira que não pode ser quitado do dia para a noite em um passe de mágica.

Irresponsabilidades à parte, a atual situação da Santa Casa depende da união de todos: provedoria, classe médica, poder público e população. Com a junção de todos em um único propósito, sem verdadeiros cabos de guerra de defesa de interesses, a instituição poderá ter um novo rumo administrativo e finalmente conseguir sair deste problema calamitoso.

A atual administração já acenou com a possibilidade da prefeitura adquirir o prédio e a área onde está instalado o Pronto Atendimento Municipal, na rua 26 esquina da avenida 23. Este local pertence à Santa Casa, e mesmo que parcelado o pagamento de sua compra, serviria para amenizar o rombo e dar um fôlego para que o hospital honre seus compromissos.

A autorização da venda desta área para o Poder Executivo dependeria de aprovação do conselho da Santa Casa. Mas, a pergunta que não quer calar é: a prefeitura terá recursos em caixa para quitar este compromisso com o hospital, uma vez que já foi comprovada uma queda de arrecadação e a porcentagem de capital para investimento é muito pequena?

COLABORAÇÃO NA CONTA DE ÁGUA

Por meio do Decreto Municipal número 3776 ficou definido que todos os consumidores guairenses podem autorizar descontar valores em sua conta de água para serem destinados à Santa Casa de Misericórdia de Guaíra. Os valores são de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 15 e R$ 20.

Levantamento realizado junto ao DEAGUA demonstrou que 687 contribuintes autorizaram descontar valores destinados ao hospital. Na última remessa feita pela autarquia, foram entregues R$ 3.307,32 destas autorizações para a entidade.

Guaíra possui 15.006 ligações de água residenciais e 1.466 comerciais. Somadas, há um total de 16.472 cidadãos aptos a fazer a colaboração com a Santa Casa. Se cada um destes contribuintes começar a colaborar com R$ 2 em sua conta, teremos um valor mensal de R$ 32.944,00 a ser destinado para a instituição. Em 12 meses chegaria a R$ 395.328,00.

O que pode ser considerado pouco para o cidadão, com uma união de toda a coletividade, pode se transformar em um montante considerável para auxiliar diretamente a Santa Casa a cumprir alguns compromissos que necessitam de recursos que não são carimbados, ou seja, podem ser utilizados conforme for determinado pela área administrativa do hospital.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA

No período em que esteve com intervenção da prefeitura, entre 2015 e 2016, a Santa Casa de Misericórdia de Guaíra sofreu uma crise de transparência que prejudicou a campanha de arrecadação de valores por meio de desconto na tarifa de água.

Muitos contribuintes deixaram de contribuir justamente porque não existia, por parte daquela provedoria nomeada pelo ex-prefeito Sérgio de Mello, a devida transparência da situação financeira e dos gastos realizados com os valores arrecadados através das contas de água.

Foram inúmeras solicitações e informações da Câmara Municipal neste período e muitas foram negadas. Na legislatura passada, algumas denúncias foram encaminhadas por parlamentares ao Ministério Público do Estado, incluindo gastos desnecessários.

Aquela provedoria chegou a contratar uma consultoria pelo valor de R$ 25 mil ao mês. Sem resultados práticos dentro do hospital, o valor pago por mais de 12 meses só fez engrossar o rombo existente nos cofres da entidade, que hoje ultrapassa os R$ 6 milhões.

VOLTAR A ACREDITAR

A atual provedoria do hospital é administrada pelo empresário Jonas Nogueira Lellis, que recebeu o órgão com uma dívida de milhões e sem receita e mecanismos viáveis para quitar esta dívida sem o auxílio direto da população e do poder público.

Entre os ajustes necessários para equilibrar as despesas, a atual provedoria tem demonstrado interesse em abrir as contas da Santa Casa, tornando seus procedimentos mais transparentes e retomando o sentimento de confiança da população.

A expectativa é que a campanha “Ajude a Santa Casa a continuar ajudando” comece a dar resultados positivos para sanar o déficit mensal do hospital, que ultrapassa os R$ 60 mil mensais, já com a garantia de maior transparência do uso destes valores.


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