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Safra de cana-de-açúcar pode sofrer com a falta de água

Cidade
Guaíra, 23 de agosto de 2015 - 16h32

O déficit hídrico, reflexo da falta de chuvas que atinge todo o Paraná há mais de 20 dias, tem colocado as usinas de cana-de-açúcar em alerta

Em pleno período de colheita da safra, a falta de água pode comprometer a quantidade de açúcar produzida pelas plantas. Até o momento, segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), 40% de uma área plantada de 650 mil hectares já foi colhida.

Porém, ainda há muitas plantas nas lavouras que estão expostas ao clima árido. Miguel Tranin, presidente da Alcopar, explica que em condições adversas de clima, a planta sente que pode haver uma possível morte, por isso solta flores com o objetivo de perpetuar a espécie. Contudo, nesse processo, a cana gasta muita energia e, com isso, pode haver uma redução no índice de açúcares da planta, já que ela usa o açúcar como fonte de energia.

Essa redução de açúcar, observa Tranin, pode afetar diretamente a produção de açúcar e etanol. O dirigente avalia que a safra deste ano deverá ser semelhante à anterior. Neste ciclo, a Alcopar espera processar 43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Desse total, deverão sair das usinas paranaenses 3 milhões de toneladas de açúcar e 1,6 bilhão de litros de etanol.

Pior que a estiagem, estão os preços dos derivados da cana-de-açúcar. O presidente da Alcopar explica que a elevada oferta de etanol no mercado interno derrubou o preço do biocombustível mesmo em um momento de consumo aquecido. Nas usinas, o valor do litro está sendo cotado a R$ 1,30. “Esse valor só cobre os custos de produção”, reclama o dirigente.

O açúcar também segue em baixa. Na última sexta-feira, dia 14, o valor do produto chegou a R$ 0,12 por libra/peso. O ideal, avalia Tranin, seria de R$ 0,40 por libra/peso. Vale lembrar que uma libra possui 0,45 quilos.

Colheita no Brasil

O País deve produzir na atual safra 655,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse total representa um aumento de 3,2% em relação ao ciclo 2014/15, quando foram recolhidos 634,8 milhões de toneladas. Segundo o órgão, o maior volume de cana colhida vai ser destinado à fabricação de etanol, que representa 55,9% da produção.

Ao todo, o Brasil deve produzir 28,52 bilhões de litros do biocombustível, 0,5% menor se comparado ao ciclo 2014/15, quando foram produzidos 28,66 bilhões de litros. Para o açúcar, o Brasil deve produzir 37,28 milhões de toneladas, 1,7 milhão de toneladas a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Fonte: Folha Web


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