O anúncio da 31ª Festa do Peão de Guaíra traz consigo um eco de generosidade que ainda ressoa nas prateleiras das nossas entidades assistenciais. Ao celebrar os 97 anos da nossa história, a cidade não escolheu apenas o caminho do entretenimento, mas o caminho da memória viva. É impossível esquecer o rastro deixado pelas 40 toneladas de alimentos arrecadadas no ano passado. Aquele montante não foi um número frio em um relatório. Foi o prato cheio na mesa de uma família, o sustento de um idoso e o combustível para que nossos voluntários continuassem sua jornada de amparo.
A fórmula de sucesso se repete porque o coração do guairense bate no ritmo da fraternidade. Existe algo profundamente nobre em saber que o mesmo gesto que nos permite ver o brilho dos refletores e a emoção dos grandes shows é o que garante o pão de quem atravessa um momento de dificuldade. É um sentimento puro de pertencimento. Quando entregamos aquele alimento no portão, deixamos de ser meros espectadores para nos tornarmos parte de uma rede invisível que sustenta a cidade inteira.
Imagine o silêncio de uma despensa vazia sendo substituído pelo som da festa e pela fartura que essas doações proporcionam. É a prova de que a alegria de um pode ser, literalmente, o alívio do outro. Temos em mãos a oportunidade de reviver esse movimento coletivo. A gratuidade dos shows abre os braços para a população, mas a nossa participação é o que mantém as engrenagens das nossas instituições funcionando.
Que nesta edição de aniversário, o orgulho de ser guairense se transforme novamente em pilhas de mantimentos. Que a nossa festa seja o maior símbolo de que, em Guaíra, ninguém celebra sozinho. Estamos prestes a escrever um capítulo onde a música serve de trilha sonora para o maior espetáculo de todos: a mão estendida de um povo que conhece o valor da partilha.

