Fala-se muito da força do agro, mas nas cidades o discurso parece bonito ,e vazio. É como se o prato cheio na mesa fosse obra do acaso, como se a economia girasse sozinha, como se o interior fosse apenas cenário e não motor.
Está na hora de um choque de realidade.
Enquanto parte da população urbana se deslumbra com tendências importadas e soluções “modernas” embaladas em marketing verde, o Brasil real continua sendo movido por aquilo que sempre funcionou: produção, terra, sol e gente que acorda cedo. E não, não se trata apenas de defender o etanol como alternativa energética. Isso é só a ponta do iceberg.
Estamos falando de uma cadeia que sustenta cidades inteiras.
O açúcar que sai da usina não é só commodity. Ele vira salário, comércio aquecido, escola funcionando, hospital atendendo. A cana que cresce no campo não gera apenas energia, ela gera dignidade. O arrendamento que muitos criticam, sem entender, é o que mantém famílias inteiras de pé. É o que paga a faculdade do filho que vira médico, advogado, engenheiro. É o que evita que pequenas propriedades desapareçam engolidas por dívidas e abandono.
Sem essas agroindústrias, sejamos honestos, quantos produtores já teriam perdido tudo?
Mas na cidade, o debate é outro. Discutimos carros elétricos como se estivéssemos na Europa, ignorando que já temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Queremos importar soluções sem antes valorizar aquilo que já é exemplo. É como trocar o certo pelo duvidoso só porque parece mais bonito na vitrine.
Não se trata de ser contra inovação. Trata-se de parar de ignorar a própria realidade.
O campo não pede aplauso. Mas merece respeito. Merece reconhecimento. E, acima de tudo, merece que as decisões que impactam o país sejam tomadas com os pés no chão e não com a cabeça nas nuvens.
Porque enquanto a cidade debate o futuro, é o agro que garante o presente.
E talvez o maior problema não seja a falta de informação.Seja a falta de disposição para enxergar ou ainda pela embriaguez de outro produto derivado da cana.

