O FIM DA 6×1: EVOLUÇÃO OU SALTO NO ESCURO?

Editorial
Guaíra, 20 de fevereiro de 2026 - 09h15

A escala 6×1 virou símbolo. Palavra de ordem. Hashtag de indignação.

Mas entre o aplauso fácil e a realidade dura existe um detalhe que ninguém pode ignorar: o Brasil não vive um momento de sobra. Vive escassez.

Falta mão de obra. Falta qualificação. Falta produtividade.

E agora se discute reduzir dias trabalhados como se bastasse trocar a engrenagem para a máquina continuar girando na mesma velocidade.

Será que estamos mesmo preparados?

Empresas que dependem de grande volume de trabalhadores, da construção ao comércio, da indústria ao agronegócio, operam com contratos, prazos e metas inegociáveis. Quando se reduz jornada sem aumentar eficiência, alguém paga a conta.

E a conta nunca evapora. Ela muda de endereço.

Se não houver aumento real de produtividade, o custo sobe. Se o custo sobe, o preço sobe. Se o preço sobe, o consumo cai. Se o consumo cai, o emprego sente.

Não se trata de defender jornadas exaustivas. Trata-se de enfrentar a matemática.

Hoje já faltam profissionais em diversos setores. Como ficará quando as empresas precisarem contratar mais para cobrir menos dias trabalhados? Haverá gente suficiente? Haverá qualificação? Haverá fôlego financeiro?

Países que avançaram na redução de jornada fizeram isso depois de investir pesado em tecnologia, capacitação e gestão. Ajustaram a base antes de mexer no teto. Aqui, muitas vezes, queremos mudar o telhado com o alicerce trincado.

O debate é legítimo. O trabalhador merece qualidade de vida. Mas romantizar a mudança sem enfrentar o cenário econômico é brincar com fogo em um ambiente já inflamável.

Não é sobre ser contra ou a favor da 6×1. É sobre responsabilidade.

Mudanças estruturais exigem planejamento, transição e coragem para dizer a verdade: sem produtividade, não existe milagre.

O Brasil precisa trabalhar melhor. Produzir mais. Capacitar mais. Organizar melhor. Só então poderá trabalhar menos, sem quebrar empresas e sem sacrificar empregos.

A pergunta que deve ecoar não é “quando acaba a 6×1?”.

É: estamos preparados para sustentar o que virá depois?


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