Vivemos dias em que o mundo parece testar nossos limites. A violência ganha manchetes. A intolerância ocupa debates. A maldade, muitas vezes, parece fazer mais barulho do que o bem.
Mas o barulho nunca foi sinônimo de força.
Enquanto muitos se perguntam até onde pode chegar a crueldade humana, outros respondem com atitudes concretas. Em Guaíra, crianças do Projeto Municipal de Judô viveram uma manhã simples aos olhos apressados, mas imensa em significado. O Planeta Criança Buffet abriu suas portas, parceiros estenderam as mãos, voluntários doaram tempo. E ali, entre brinquedos e risadas, algo maior aconteceu.
Ali se construiu futuro.
O judô, criado por Jigoro Kano, ensina que a verdadeira força não está na agressão, mas no controle. Não está no ataque, mas no equilíbrio. É disciplina, respeito, caráter. Quando uma comunidade decide fortalecer esse caminho, ela escolhe conscientemente o lado da luz.
Em 1973, Nelson Cavaquinho eternizou, ao lado de Elcio Soares, um verso que atravessa gerações: o sol há de brilhar mais uma vez. Não como promessa ingênua, mas como convicção de quem entende que o bem precisa ser praticado para existir.
O mundo pode até insistir na escuridão.
Mas a luz não nasce do acaso. Ela nasce da decisão.
Cada gesto solidário é um posicionamento. Cada criança valorizada é uma declaração de princípios. Cada ação voluntária é uma resposta firme à barbárie que tenta nos anestesiar.
O mal cresce quando nos omitimos.
O bem floresce quando assumimos responsabilidade.
Talvez nunca consigamos eliminar toda a maldade do mundo. Mas podemos, todos os dias, escolher não alimentá-la. Podemos escolher construir, educar, cuidar. Podemos escolher ser a comunidade que não se curva ao cinismo, mas que investe na base, na formação, no exemplo.
Porque no fim, o verdadeiro juízo acontece nas pequenas decisões diárias.
E quando uma cidade decide acender sua própria luz, não há escuridão que resista.
O sol brilha onde alguém resolve construí-lo.

