Passeata de hoje, uma boa ou má ideia?

Editorial
Guaíra, 26 de maio de 2019 - 08h30

Uma passeata foi criada para ser uma resposta à manifestação contra os cortes na Educação. Naquela manifestação, a bem da verdade, tinha de tudo, menos estudantes e professores comprometidos com a causa. Não faltaram bandeiras – vermelhas, evidentemente – do PT, da CUT, do MST e afins.

Já a de hoje foi criada para ser uma demonstração de força de Bolsonaro. O modelo de convocação da passeata foi o de costume, da campanha eleitoral, de confronto, de criminalização da atividade política, de hostilização e desvalorização dos demais Poderes da República e da imprensa marrom. Vários dos movimentos que apoiam Bolsonaro levantaram bandeiras de fechar o Congresso e o Supremo etc…

O que querem os manifestantes, além de hipotecar seu apoio ao presidente?

Querem que seja votada a reforma da Previdência, que está demorando por causa das confusões do governo com o presidente da Câmara, Maia. Mas, ninguém tem a menor dúvida de que vai passar (apesar das inúmeras declarações contra). A MP 870 demorou, mas já passou. O COAF não vai ficar com Moro, não adianta chorar sobre o leite derramado, mas vale lembrar que Bolsonaro nunca lutou para que o COAF ficasse com Moro, e que desprestigiou seu ministro várias vezes.

O fato incontornável é o seguinte: Quem for às ruas neste domingo, vai para apoiar a agenda de Bolsonaro e sua maneira de governar. Trata-se de uma agenda de quem está dizendo: ”Continue assim, presidente” Acontece que ninguém faz protesto a favor. Pessoas normais saem de casa para reclamar, não para aplaudir. Passeata a favor tem chance grande de fracassar.

Quem apoia as reformas, mas defende a democracia tende a não ir, haja vista a quantidade de pessoas que estão denunciando a manifestação ou se dissociando dela, como Janaína Paschoal, Luciano Bivar (presidente do PSL), Kim Kataguiri… O próprio Bolsonaro não vai e conclamou seus ministros a não participarem.

A passeata é um cenário que pode surpreender. Se for um fracasso, Bolsonaro tende a ficar fraco. Se for um sucesso, os ânimos vão se acirrar, e o Congresso vai retaliar, tornando a vida do governo ainda mais difícil. Escalar o confronto é ruim para todos.


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