Poder que se Exerce pelo Medo

Editorial
Guaíra, 29 de agosto de 2025 - 10h19

Governar pelo medo é como usar desodorante vencido: até engana no começo, mas logo todos percebem o cheiro. O tirano acredita que intimida; na verdade, só mostra que não confia nem na própria sombra. Se tivesse autoridade de verdade, não precisaria gritar, ameaçar ou mandar torturar discretamente no canto da sala.

O medo até funciona: dobra a espinha, arranca sorrisos falsos, mantém a plateia em silêncio. Mas corações? Esses não se conquistam, só batem mais rápido, torcendo para o algoz tropeçar na própria arrogância.

E quando o governante descobre a tortura “sutil”, aí, sim, se acha um gênio. Nada de chicote.apenas humilhação fina, veneno em palavras, manipulação emocional. É a tirania versão gourmet: parece mais sofisticada, mas no fim continua sendo crueldade mal disfarçada de estratégia.

Sim, o povo até finge disciplina. Ninguém protesta, todos seguem a fila, o silêncio reina. Mas não se engane: isso não é ordem, é velório. A cidade fica tão viva quanto um quarto trancado sem ar. A diferença entre paz e medo é a mesma entre música e barulho de corrente arrastada.

No fundo, quem governa assim não é estadista: é carcereiro de luxo, chefe de prisão com coroação oficial. A ironia é que, quanto mais tenta esconder as marcas de sua violência “refinada”, mais podres acumula no porão. E quando a tampa estoura (porque sempre estoura) não sobra perfume que disfarce.

No fim, o poder fundado no medo é um truque barato de mágico de quinta. Funciona até a plateia perceber os fios. E quando percebe, meu caro, não há nada mais ridículo do que um tirano correndo em trajes reais com o manto enroscado no tornozelo.


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