Há uma frase que costuma aparecer sempre que alguém propõe algo novo: “isso nunca foi feito”. Ela vem quase sempre acompanhada de um tom definitivo, como se a ausência de passado fosse, por si só, prova de fracasso futuro. É confortável pensar assim. Dá menos trabalho do que tentar. Dá menos risco do que ousar.
Mas a história não avança por quem repete certezas. Avança por quem desafia limites. Se o “nunca foi feito” fosse motivo suficiente para desistir, a humanidade ainda estaria parada no mesmo lugar. Não haveria roda, não haveria luz elétrica, não haveria avanços na medicina, nem soluções que hoje consideramos óbvias. Tudo o que existe um dia foi novidade. E toda novidade, em algum momento, foi desacreditada.
O problema não é a cautela. Cautela é saudável. O problema é transformar o medo em argumento e a inércia em discurso técnico. Quando o receio de errar fala mais alto do que a vontade de resolver, perde-se tempo, oportunidades e, muitas vezes, qualidade de vida.
Inovar não é agir sem pensar. É pensar diferente. É estudar, planejar, testar, corrigir e avançar. É entender que errar faz parte do processo e que ficar parado, esse sim, é o maior dos riscos. Porque enquanto se espera o cenário perfeito, os problemas continuam batendo à porta.
Cidades, instituições e pessoas que evoluem têm algo em comum: não se escondem atrás do “sempre foi assim”. Preferem a pergunta incômoda ao conforto da repetição. Preferem o trabalho da construção ao alívio momentâneo da crítica vazia.
Talvez seja hora de inverter a lógica. Em vez de perguntar por que nunca foi feito, perguntar por que ainda não foi tentado. Porque, no fim das contas, a roda só surgiu quando alguém decidiu ignorar o coro dos que diziam que não daria certo.

