Quando os números não conseguem medir a vida

Editorial
Guaíra, 30 de janeiro de 2026 - 08h59

Há rankings que tentam resumir cidades inteiras em planilhas. Índices que medem qualidade de vida como se ela coubesse em gráficos frios, distantes da rotina, das pessoas e do cotidiano real. Talvez seja por isso que, tantas vezes, cidades como Guaíra passem despercebidas nessas avaliações. Não por falta de vida, mas por excesso dela.

Porque qualidade de vida não se mede apenas por números. Mede-se pelo som das conversas na praça no fim da tarde, pela tranquilidade de deixar os filhos brincarem sem medo, pelo direito de envelhecer com dignidade, pelo acesso à saúde básica que funciona, pelo convívio simples, pela sensação concreta de pertencimento. Coisas difíceis de tabular, mas impossíveis de ignorar quando se vive.

Guaíra tem um calendário vivo, que não existe apenas no papel. Tem Festa do Peão que preserva cultura, identidade e memória. Tem programas que cuidam da terceira idade de forma contínua. Tem ações de saúde que saem dos relatórios e ocupam o Parque Maracá, um dos espaços mais belos da região, com movimento, prevenção e vida pulsando. Tem rio para pescar, rancho para reunir amigos, lazer simples, mas verdadeiro. E tem algo que virou quase artigo de luxo no Brasil urbano: índices de violência baixíssimos.

Nada disso significa perfeição. Nenhuma cidade é perfeita e Guaíra não foge à regra. Há problemas, demandas, falhas e desafios que exigem atenção, cobrança e planejamento. Mas ignorar o que funciona, o que acolhe e o que constrói bem-estar cotidiano é cometer um erro grave de leitura social. Ou, em alguns casos, escolher não enxergar.

Talvez o que falte não seja estrutura. Falte olhar. Um olhar menos apressado, menos viciado em fórmulas prontas. Um olhar mais atento, mais justo, mais humano. De fora, para reconhecer. E de dentro, para valorizar.

Guaíra não é apenas um ponto no mapa ou um dado estatístico perdido em relatórios. É um lugar onde se vive. E talvez valha lembrar aos que só enxergam defeitos que nenhuma cidade melhora quando é observada apenas de longe, com desconfiança e dedo em riste. Cidades evoluem quando são compreendidas, cuidadas e também defendidas por quem escolhe viver nelas.


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