Quanto vale uma vida?

Editorial
Guaíra, 30 de junho de 2016 - 08h00

Aquele 27 de agosto de 1977 era um dia como outro qualquer. Menos para o sargento Hollenbach, que naquela tarde passeava com a mulher e os 4 filhos no zoológico de Brasília, quando um menino caiu no fosso onde ficavam as ariranhas. Hollenbach já estava entrando no carro para ir embora, mas ouviu os gritos da multidão que se formava em torno do poço e voltou. Os pais do menino que caíra não estavam por perto, então ele decidiu entrar para salvar o garoto. Morreu alguns dias depois por conta das mais de 100 mordidas que tomou dos animais, mas salvou a vida do menino.

Dos familiares do menino salvo, nem mesmo um simples “obrigado”. Restou à família apenas o consolo de receber homenagens de herói do seu batalhão e do próprio Zoológico, que passou a ter o nome do sargento.

Esperava-se que o menino salvo da morte fosse valer sua vida pelo sacrifício de seu salvador. Tal qual o personagem de Tom Hanks no final do filme “O resgate do Soldado Ryan”, que, como último pedido, suplica que ele faça por merecer a vida que ganhou em troca da morte daqueles que deram sua vida para que ele pudesse viver.

Mas a realidade não tem poesia.

Quase 40 anos depois, o menino salvo da morte foi preso pela polícia federal na operação que investigava desvio do fundo de pensão dos Correios.

Adilson Florêncio da Costa, o menino salvo pelo sargento Hollenbach, tornou-se diretor da Postalis. O desvio do dinheiro dos aposentados durante sua gestão foi tão grande, que hoje não há mais como usufruir de suas aposentadorias pelo rombo causado pela quadrilha lá instalada. Roubou daqueles que esperavam descansar após uma vida de trabalho.

Isso não pode ser chamado de destino porque segundo os especialistas, há um sentimento chamado “livre arbítrio” de modo que todos nós temos a possibilidade de escolher nosso próprio caminho.

Roubar, desviar, super faturar, ficou institucionalizado de norte a sul do nosso país, de modo que nada se salva: Casa da moeda, Ministério da Cultura, Petrobrás, Correios… Ou seja, onde a Polícia Federal se aprofundar em investigação vai encontrar o desvio de dinheiro.

A vida realmente tem uma ironia implícita difícil de entender.


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