Ruptura não é escolha. É necessidade.

Editorial
Guaíra, 10 de abril de 2026 - 08h51

O problema do Brasil não é apenas o quanto se arrecada. É, sobretudo, o quanto se gasta e como se gasta.

A reflexão, recentemente levantada pelo senador Cleitinho, é simples, direta e incômoda: enquanto uns constroem riqueza, outros se especializam em criar despesas. Pode soar duro, mas é exatamente esse tipo de desconforto que o país tem evitado enfrentar.

De um lado, empresários que assumem riscos e trabalhadores que sustentam a economia com esforço diário. Do outro, uma estrutura pública que, em muitas esferas, parece ter perdido a noção de limite. Não se trata de negar a importância do Estado, isso seria simplificar demais um problema complexo, mas de questionar os excessos que se tornaram rotina.

Auxílios que se acumulam. Benefícios que se perpetuam. Estruturas que crescem sem a mesma cobrança de eficiência exigida de quem está do lado de fora da máquina. O resultado é um distanciamento perigoso entre quem paga a conta e quem decide como ela será usada.

E é nesse ponto que a palavra “ruptura” deixa de ser retórica e passa a ser necessidade.

Ruptura com a lógica do gasto automático. Ruptura com a cultura do privilégio travestido de direito. Ruptura com a complacência que transforma exceções em regra. Não se trata de desmontar instituições, mas de resgatá-las para aquilo que deveriam ser: instrumentos de serviço à sociedade.

Em Guaíra, ainda é possível perceber sinais de que esse equilíbrio pode existir. Uma estrutura mais enxuta, menos carregada de excessos, mais próxima da realidade de quem vive, trabalha e paga impostos. E talvez seja exatamente isso que escancara o problema quando olhamos para outras esferas: a constatação de que é possível fazer diferente.

O que não cabe mais é tratar o contribuinte como fonte inesgotável de recursos para sustentar um modelo que se retroalimenta. O dinheiro público não nasce no Estado. Ele vem de alguém. Tem origem, tem esforço, tem peso.

A grande questão já não é se mudanças são necessárias. Isso está evidente.A questão é quem terá coragem de romper com o conforto do excesso.Porque, a esta altura, manter tudo como está deixou de ser prudência.

É escolha.


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