UM CHAMADO À RESPONSABILIDADE

Editorial
Guaíra, 28 de janeiro de 2026 - 13h52

Há perigos que gritam e há perigos que sussurram. Os primeiros assustam, os segundos matam em silêncio. O Brasil vive hoje cercado por ameaças que muitas vezes se disfarçam de normalidade, de hábito social ou até de solução fácil. Quando o poder público decide agir com firmeza, como fez a Prefeitura de Guaíra ao endurecer a fiscalização contra a venda de bebidas alcoólicas a menores, não está apenas cumprindo a lei, está puxando o freio de emergência de uma tragédia anunciada.

Vender álcool a quem ainda está em formação não é detalhe, é negligência. É abrir a porta para acidentes, violência, evasão escolar e dependência química precoce. Por isso, a ação conjunta entre Prefeitura, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar precisa ser entendida como um marco de responsabilidade social. Uma cidade que protege seus jovens protege seu próprio futuro. E quem insiste em desrespeitar a lei precisa saber que não haverá tolerância.

Mas enquanto os olhos se voltam, corretamente, para bares e comércios, outro risco cresce fora do radar da maioria das famílias. Um perigo moderno, silencioso e altamente sedutor. As chamadas canetas emagrecedoras, vendidas livremente pela internet, sem prescrição médica, sem acompanhamento profissional e, em muitos casos, importadas ilegalmente de outros países. A promessa é tentadora, emagrecimento rápido, fácil e sem esforço. O preço real, porém, pode ser a saúde ou algo ainda mais valioso.

Não se trata de alarmismo, mas de realidade. Substâncias que interferem diretamente no metabolismo, nos hormônios e no funcionamento do organismo estão sendo usadas como se fossem suplementos inofensivos. Quem garante a procedência? Quem responde pelos efeitos colaterais? Quem estará ao lado do consumidor quando surgirem as complicações? O silêncio das embalagens não protege ninguém.

Assim como a venda de álcool a menores exige fiscalização rigorosa, o uso indiscriminado de medicamentos exige consciência coletiva. Saúde não pode ser guiada por modismos, influenciadores ou anúncios milagrosos. O corpo humano não é laboratório de experiências importadas sem controle sanitário.

Este não é apenas um alerta. É um chamado à responsabilidade. Aos pais, para que observem. Aos jovens, para que desconfiem do que parece fácil demais. Aos comerciantes e vendedores online, para que entendam que lucro sem responsabilidade cobra seu preço. E às autoridades, para que ampliem o debate e a fiscalização antes que o problema se torne mais uma crise de saúde pública.

Guaíra mostra que agir preventivamente salva vidas. Agora, cabe à sociedade ouvir o aviso. Porque quando o perigo deixa de ser invisível, ignorá-lo passa a ser uma escolha. E algumas escolhas custam caro demais.


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