Ineficazes, gastos com o setor de saúde oneram 25% do orçamento municipal

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Guaíra, 14 de junho de 2016 - 08h03

Mesmo recebendo um alto valor dos cofres públicos, saúde pública continua sendo alvo de reclamações dos guairenses por seus serviços precários. Relatório com as despesas da pasta foram apresentados em Audiência Pública

 

Na noite da última sexta-feira, 10, a secretaria de saúde apresentou o relatório quadrimestral do SIOPS referente à prestação de contas do primeiro quadrimestre deste ano, durante Audiência Pública da Saúde, realizada na Câmara Municipal. Os demonstrativos de receitas e despesas do setor surpreenderam por representarem um alto custo aos cofres públicos: mais de 25% do orçamento do município.

Estiveram presentes na reunião: o diretor financeiro da prefeitura, Márcio Bento; a secretária de saúde, Jussara Soler; o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Antonio Alves de Mendonça e seus conselheiros; alguns funcionários públicos, o Jornal O Guaíra e a rádio Cultura.

Dentre os vereadores, apenas a parlamentar Ana Beatriz Coscrato Junqueira esteve presente e questionou diversos itens apresentados por acreditar que representavam um alto valor aos cofres públicos. Márcio Bento esclareceu algumas questões, mas não pôde explicar algumas despesas, pois não foram apresentadas notas dos gastos.

De janeiro a abril, a secretaria de saúde pagou mais de R$ 686 mil em horas extras, repassou mais de R$ 893 mil para entidades sem fins lucrativos, e mais de dois milhões em subvenção para a Santa Casa. Viagens e diárias dos funcionários do setor oneraram mais de R$ 80 mil do governo.

O que chamou a atenção dos presentes na Audiência foram as despesas com materiais de processamento de dados e equipamentos de processamento de dados, que juntos contabilizaram mais de R$ 73 mil, o que não foi muito bem elucidado pela prefeitura, pois o diretor financeiro não soube explicar o que realmente estava incluso em cada item.

Os gastos com a frota de veículos da saúde também surpreendeu o Conselho e a vereadora Bia, que sugeriu a compra de novas ambulâncias ou carros, pois sairia mais barato ao orçamento já que a secretaria gastou R$124.345,50 com “Manutenção de Veículos”; R$4.954,72 com “Manutenção e Conservação de veículos Pessoa Física”; R$ 78.380,29 com “Manutenção e Conservação de Veículos Pessoa Jurídica”; R$90.846,62 com fretes e transportes de encomendas; além de mais de R$ 100 mil com combustível e lubrificantes automotivos.

Apesar de alguns setores da saúde pública estarem no Centro Administrativo, localizado no antigo prédio do Soares (Avenida 9), a secretaria de saúde gastou, em quatro meses: R$37.482,97 com “Locação de Imóveis com Pessoa Física”; R$7.878,00 com “Manutenção e Conservação de Bens Imóveis” (pessoa física); R$7.081,00 com “Locação de Imóveis Pessoa Jurídica” e R$ 38.393,00 com “Manutenção e Conservação de Bens Imóveis de Pessoa Jurídica”, o que totaliza mais de R$ 90 mil com imóveis alugados em apenas quatro meses.

A vereadora Bia Junqueira chegou a citar, em diversos momentos, que essas altas despesas são resultados de uma má administração no setor.

Outros itens também chamaram a atenção do CMS e dos participantes da Audiência, pois não foram especificados no relatório e suas notas também não foram apresentadas. No final, o Conselho aprovou os relatórios.

CONSULTORIA ROSINHA

Em março deste ano, a atual gestão contratou o ex-secretário de saúde, Dr. Cássio Luiz Rosinha, através da sua empresa Rosinha Treinamento e Assessoria Ltda ME, pelo valor de R$ 7.850,00 para prestar serviços de consultoria e especializada no sistema de saúde, contendo as ações necessárias para análise e emissão de relatórios em combate ao mosquito Aedes Aegypit, transmissor da dengue.

Durante a audiência pública desta sexta-feira, 10, a vereadora Dra. Bia Junqueira questionou o diretor de vigilância, Mauricio Alves, sobre os resultados do relatório e o mesmo negou que tenha recebido qualquer documento da consultoria de Rosinha. Ao ser indagada, a secretária de saúde Jussara Soler, declarou que não comentaria sobre o assunto naquele momento e se ausentou da reunião por vários minutos.

A redação do jornal O Guaíra perguntou ao diretor de vigilância se ele teria se reunido com Rosinha para receber os resultados dos relatórios e se isso havia ajudado a ação de combate à dengue, mas Maurício ressaltou que não se encontrou com o ex-secretário em momento algum para falar sobre o assunto.

No final da Audiência, Jussara foi questionada mais uma vez e, em tom abrasivo, a secretária ressaltou que os relatórios estariam no gabinete da prefeitura nesta segunda-feira (13) e que o diretor de vigilância havia se equivocado em sua resposta, tendo recebido sim a documentação e se reunido com Rosinha.

Dr. Cássio Luiz Rosinha ficou marcado em Guaíra como o Secretário de Saúde durante a primeira gestão de Sérgio de Mello que, na época, disse que iria colocar remédio na caixa d´água de Guaíra. O motivo seria o grande consumo de medicamentos pela população. Hoje, a falta de remédios é reclamação constante na área de Saúde.



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