O DEAGUA tem realizado obras para resolver problemas de drenagem de décadas, como caso da avenida 23 com rua 26, em frente ao Pronto Socorro Municipal.
Avenida 9: O início da Avenida 9 é um dos pontos mais críticos do município. Com as chuvas, uma grande enxurrada se forma em frente às residências, prejudicando os moradores locais.
Nesta semana, o monitoramento climático do Sindicato Rural de Guaíra apontou que choveu no município, em apenas dois dias (7 e 8 de janeiro) cerca de 170 mm, ou seja, mais da metade da média histórica prevista no primeiro mês do ano, de 299 mm, calculada nos últimos 30 anos (Dados: Climatempo). E mais, quase 100 mm concentrados em duas horas na tarde de domingo.
A chuva é sempre bem-vinda em um município agrícola como Guaíra. Entretanto, o problema da cidade é um mau costume nas construções. De acordo com o Departamento de Esgoto e Água de Guaíra, para facilitar e economizar, em alguns casos, os pedreiros ligam o escoamento das águas das chuvas na rede de esgoto.
“Essa prática constitui em infração prevista no Decreto Estadual nº 5.916, de 13 de Março de 1975: ‘Artigo 13 – É expressamente proibida a introdução direta ou indireta de águas pluviais nos ramais domiciliares de esgotos sanitários”, destacou o diretor do DEAGUA, Lucas Froner.
Estas ligações irregulares em dias chuvas volumosas fazem extravasar a capacidade da rede de esgoto e causam o retorno de detritos nos pontos mais baixos da cidade. “Este sério problema foi gerado em décadas de construções inadequadas”, explicou o responsável pelo órgão, justificando o que tem ocorrido no “Poço de Visita” localizado no calçadão do Vivendas, entre as Avenidas 5-A e Leozinho Dias Campos.
Lucas ainda informou que o dimensionamento da rede nesta região do município é adequada. “O problema só ocorre nos dias de fortes chuvas. São as ligações ilegais de água da chuva as responsáveis pelo vazamento de esgoto”, disse. “Mas já estamos formulando projetos de drenagens das águas pluviais”, acrescentou.
De acordo com o governo municipal, a administração já tem levantamentos e projetos para conter o problema. Dentre as intervenções estão obras na Avenida 7, na altura da Rua 2, aumentando a bitola da tubulação do escoamento de chuvas e também da rede de esgoto do Vivendas, para evitar futuros dissabores. Por outro lado, o DEAGUA se colocou à disposição dos munícipes que por desinformação fizeram a ligação do escoamento pluviométrico na rede de esgotos, fazendo a orientação sobre a melhor forma de sanar a infração.
“Uma obra pontual no bairro Vivendas com a ampliação em parte da rede de esgoto deve evitar futuros dissabores, contudo, uma obra que será executada para resolver uma disfunção causada por vícios da construção civil privada”, esclareceu Froner.
Este problema não é uma exclusividade de Guaíra. Na verdade, em outras cidades estão sendo formuladas legislações municipais disciplinando o despejo de águas das chuvas nos imóveis particulares.
Em Patrocínio Paulista foi aprovada em 2014 uma matéria que prevê a proibição do despejo de água de chuva na rede de esgoto. A justificativa do autor do projeto se alicerça na premissa de que as casas destinam a água de chuva na rede ocasionam problemas aos vizinhos, com volta dos efluentes e mau cheiro.
PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO
Segundo o Departamento, sem a participação efetiva da coletividade, os problemas de drenagem e esgoto não têm solução. “Só para se ter uma ideia, o DEAGUA teve que fazer, ao longo de 2017, pelo menos três limpezas em cada um das mais de 660 caixas coletoras (boca de lobo) da rede de água das chuvas, retirando toneladas e toneladas de terra e areia”, relembra Lucas, alertando a comunidade para evitar que situações como essa aconteçam novamente.
“Material de construção depositado de forma irregular e o hábito de ‘varrer com água’ a sarjeta são os grandes vilões que provocam entupimentos nas redes e altos custos para os cofres públicos”, apontou o diretor.
Atitudes individuais simples, como recolher pequenas quantidades de terra na sarjeta da residência podem, em médio e longo prazo, evitar incômodos coletivos, como alagamentos e criadouros de mosquitos, ratos e outros vetores de doenças.