O resgate da sede de campo do Grêmio Literário e Recreativo XVIII de Maio

Depois de leiloar a sede social, a diretoria também comercializou quase sete hectares para saldar dívidas e fazer investimentos na sede campestre

Cidade
Guaíra, 14 de março de 2019 - 11h10

Nesta semana, após o compartilhamento de um vídeo da atual situação do antigo salão social do Grêmio Literário e Recreativo XVIII de Maio, muitos guairenses questionaram a real situação deste imóvel e também da sede campestre.

A reportagem do Jornal O Guaíra manteve contato com alguns membros da atual diretoria, bem como de outros segmentos que fizeram parte do quadro de diretores que participaram ativamente dos trâmites da venda da sede social do clube mais tradicional da cidade.

O primeiro patrimônio a ser vendido, para a iniciativa privada, foi o imóvel localizado na esquina da Rua 12 com a Avenida 7, região central do município. Na época, a sede social foi comercializada por R$ 2,1 milhões através de um leilão, na gestão do ex-presidente Roberto Ramos. Porém, o valor foi parcelado e só recebido já pela diretoria posterior, presidida por Marcelo Fantacini, o Bill, presidente daquela gestão.

O prédio central, local dos grandes eventos da sociedade guairense, foi comercializado com objetivo de quitar dívidas contraídas (trabalhistas e tributárias) pelo clube e com a proposta de que fossem realizados investimentos na sede campestre. Até o momento, pouco investimento foi feito e a atual diretoria encontra muita dificuldade pra manter as atuais despesas mensais.

A venda do prédio da Rua 12, foi feita através de leilão e espaço adquirido por dois empresários: Assad Abrão Daher, da rede de supermercados Tome Leve e do empresário guairense Jamel Assem Abdala (do Grupo Angar). Segundo o ex-presidente Roberto Ramos, em um primeiro momento, o contrato de venda foi feito pelos dois empreendedores, que tinham a intenção da instalação de um supermercado, todavia, posteriormente, o empresário “Tome” desistiu do projeto e Jamel assumiu o negócio, hoje já finalizando junto à atual diretoria.

O local se encontra vazio, inutilizado e muitas vezes alvo de críticas e de contestações por parte dos vizinhos, por se tornar um ponto de criadouro de pombos e mosquitos, com risco de criadouros do Aedes Aegypti.

A reportagem falou com os ex-presidentes Roberto Ramos e Marcelo Fantacini, que se posicionaram sobre o feito. Segundo Betão, todo trâmite foi feito dentro da legalidade diante da necessidade. Ele ainda contou que na sua gestão aconteceu apenas a contratualização da venda, já o recebimento foi ordenado pela diretoria que lhe sucedeu, através de Fantacini.

Já o Bill declarou que o pagamento foi feito em parcelas, em contrato, e parte deste dinheiro já foi destinado para quitação de dívidas trabalhistas e acertos de impostos atrasados. Ainda de acordo com ele, tudo foi devidamente documentando e todas as dívidas na ocasião foram acertadas ou programadas conforme o recebimento do parcelamento da venda.

Bill também afirmou que em sua gestão, outra necessidade foi a comercialização de 6,84 hectares paulista da sede campestre, localizada no quilômetro 61 da rodovia Assis Chateaubriand, a SP-425, ao lado do Motel.  A negociação foi findada, mas o valor está à disposição da atual diretoria, hoje presidida por Nilton Lima e a receita desta negociação também servirá como investimento para a sede de campo, que necessita de reformas de urgência.

Para Bill, a autorização partiu de uma convocação de assembleia geral extraordinária que se fez em razão do disposto no artigo 23, parágrafo 1, alínea ”e” do Estatuto Social, tem como pauta única o recebimento, para a votação de proposta de venda de parte do patrimônio da associação. Todos os associados do Grêmio que estavam em dia com o pagamento de suas mensalidades poderiam participar e votaram concordando com o ato de venda.
Todas essas negociações marcaram mais uma triste fase da história dos clubes guairenses. O Grêmio Literário e Recreativo XVIII de Maio foi o ponto de encontro da elite guairense e hoje é mais um exemplo da crise que assola as instituições sociais nos últimos anos.

O atual presidente, Nilton Lima, falou das dificuldades encontradas pelo clube nos últimos anos e do projeto que está sendo implantado com o intuito de resgatar o único clube social da cidade. “Estamos fazendo todo o possível e usando de todas as nossas forças, enquanto diretoria, para manter o único patrimônio existente que é a nossa sede de campo. Nosso trabalho é árduo, mas estamos com muita boa vontade para resgatar nosso quadro de associados e manter nosso único clube vivo”, finalizou Lima.

É importante registrar que “a grosso” modo, não existem culpados pela atual decadência dos clubes, não só em Guaíra, mas em todo o país. A inadimplência por parte do quadro social, a falta de comprometimento dos associados em evento e ações para melhorias das sua sedes, levou a maioria ao fechamento.

Na próxima edição, o atual presidente Nilton Lima, em entrevista, fará um “raio X” da verdadeira situação financeira e estrutural da sede de campo do Grêmio Literário.



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