Imagine que a Federação Internacional de Automobilismo, decida, por conta da redução de número de acidentes, flexibilizar os dispositivos de segurança, sem que nada seja feito de modo paralelo para compensar essas mudanças. O que deve acontecer? Por motivos óbvios, o número de ocorrências graves tem a tendência de voltar a subir.
Existe, por assim dizer, uma ferramenta de gestão chamada PDCA, que tem como foco principal a melhoria contínua e o mapeamento e diagnóstico de problemas, além de clarear as possiblidades e oportunidades de tomada de decisão para solucioná-los.
Em essência, seu modus operandi é simples: baseia-se no planejamento (P – Plan) e definição de metas; na execução do que foi planejado (D – Do – fazer) e registro de ocorrências para posterior análise; no cruzamento de informações entre os resultados e as metas (C – check – checagem), identificando resultados “conformes” (o que se esperava) e/ou “não conformes” (diferente do que se pretendia); e, por fim, em caso de não conformidades, as ações corretivas pertinentes (A – Action).
Voltando no caso da Fórmula 1, ao se confrontar as medidas tomadas e os resultados satisfatório obtidos, obviamente, não se flexibiliza. Por que se faz ao contrário no caso da Covid?
Imagine uma localidade que, bem ou mal, e contando com certo grau de vacinação, esteja conseguindo baixar os números negativos da pandemia. Aí, antes da consolidação da positividade dos resultados, se flexibilize praticamente tudo aquilo que é sabido de efetividade para o combate ao processo de contaminação, num momento em que apenas 1/3 da população esteja “imunizada” (mas que ainda se contamina e pode transmitir), 2/3 parcialmente imunizada (se contamina, fica doente e transmite), 1/3 nada imunizada (se contamina, chance grande de desenvolvimento mais grave da doença, de óbito e, ainda, transmite).
Ou seja, em todo lugar com aglomeração, na média, a cada 3 pessoas, uma estará totalmente vulnerável, outra parcialmente e uma mais segura, embora seja, ainda, um possível agente transmissor. É óbvio que há uma tendência do número de casos subir.
Assim, gerencialmente, qual conformidade se busca? A proteção à saúde do cidadão e eliminação dos casos? Ou a manutenção de um certo número “aceitável” (para quem?) de contaminação e óbitos? De qualquer forma, há uma inabilidade de gestão. No segundo caso, porque a meta está, pelas condições atuais, incondicionalmente, errada. No primeiro, porque vai dar errado, mesmo. As medidas são incompatíveis com as metas. Aí, depois, não adianta se disfarçar de Luan Santana e soltar aos 4 ventos que a culpa é da morena, do beijo da morena…
Pense nisso, se quiser, é claro!
Prof. Ms. Coltri Junior é estrategista organizacional e de carreira, palestrante, adm. de empresas, especialista em gestão de pessoas e EaD, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior