A cultura e a solidariedade nos tempos modernos

Opinião
Guaíra, 16 de junho de 2016 - 08h01

A cultura dos nossos tempos se baseia nos princípios do individualismo, relativismo e instrumentalismo. Sem aprofundarmos na esfera da filosofia, podemos avaliá-los da seguinte maneira: o individualismo consiste na busca do melhor tipo de vida. O indivíduo tem a obrigação moral de buscar a sua felicidade sem qualquer obrigação com os demais.  Segundo o relativismo, todas as escolhas são igualmente importantes, pois não há uma hierarquia de condutas. Assim, o foco do indivíduo é atingir a sua autossatisfação. Por fim, o instrumentalismo afirma que qualquer coisa fora de nós é um valor instrumental, ou seja, o valor das pessoas e das coisas se resume no que elas podem fazer por nós. Com isso, virtudes como a honestidade, a reciprocidade e a responsabilidade com os demais caem em total descrédito. A expansão da cultura moderna infelizmente modificou de forma drástica as nossas relações familiares e sociais. Estamos perdendo o senso de responsabilidade compartilhada no campo social e o de vinculação significativa nas relações interpessoais. Certamente a modernidade foi responsável por muitas mudanças na nossa forma de ver e sentir o mundo. A revolução tecnológica inundou de conforto nossas vidas. Dispomos de uma variedade de coisas que facilitam o nosso dia a dia, porém não encontramos tempo disponível para cultivarmos nosso lado afetivo. O convívio reconfortante com a família, amigos e o amor romântico parecem ser coisas do passado ou do cinema, algo lembrado com nostalgia, mas avaliado com utopia nos dias atuais. O desenvolvimento econômico nos impulsa intensamente. Há sempre novidades nas modas, novas novelas, o que aprender de novo, de conquistar, de possuir, de descobrir ou até mesmo experimentar. Precisamos reestruturar urgentemente os processos pelos quais nossas crianças e nossos jovens possam aprender valores de bons comportamentos sociais e morais. Para que isso ocorra, todas as instituições, tanto públicas como privadas, terão de dar uma parcela de contribuição sócio-econômica-cultural. Somente uma educação pautada em sólidos valores altruístas poderá fazer surgir uma nova ética social que seja capaz de conciliar direitos individuais com responsabilidades interpessoais e coletivas para a nossa posteridade. A aprendizagem altruísta e o único caminho possível para combatermos a cultura pautada na insensibilidade interpessoal e na ausência da solidariedade coletiva. É certamente importante destacar os avanços positivos do progresso, da tecnologia e da ciência, das liberdades de escolhas e de expressão. Entretanto, no meu ponto de vista, a construção de uma sociedade mais solidária será o grande desafio de todos os tempos. Precisamos apostar nas fundações e instituições corretas e sérias para que tenhamos exemplos concretos de administração de alta qualidade, como por exemplo, os voluntários e administradores da SOGUBE, equipe de médicos e funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Guaíra e instituições sociais do município.


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Sergio Munia Jr

Sergio Munia Jr. – administrador, voluntário no Hospital de Câncer de Barretos  sergiomunia@uol.com.br

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