A diferença entre os termos muçulmanos, islamismo e árabes

Opinião
Guaíra, 13 de maio de 2016 - 08h00

Se você está atento às notícias na TV, nos jornais ou na internet, principalmente nos assuntos ligados aos conflitos Árabe-Israelenses, Guerra do Iraque, a guerra da Síria, entre muitos outros, com certeza já se deparou com termos como árabe, muçulmano ou islâmico. No entanto, o que esses termos significam? Existem diferenças entre eles? Se há diferenças, quais são elas? É justamente essas questões que vamos tentar esclarecer neste pequeno texto. O termo islâmico, se refere aos seguidores do Islamismo, que é uma religião monoteísta criada no século VII d.C. (depois de Cristo), por Maomé, e que hoje conta com milhares seguidores no mundo todo. Portanto, islâmico é todo seguidor da religião Islâmica, assim como os seguidores do Cristianismo são chamados de cristãos, os adeptos do Judaísmo de judeus, e assim por diante. Muçulmano é apenas um sinônimo de islâmico, não havendo nenhuma diferença entre os termos. Portanto, dizer que alguém é muçulmano, isso significa dizer que essa pessoa é islâmica, ou seja, seguidora do Islamismo. O termo árabe se refere a uma etnia, ou seja, à etnia árabe, que é caracterizada pela língua árabe. Assim, todos os povos que têm a língua árabe como oficial podem ser chamados de árabes. Como exemplo, podemos citar os iraquianos, os egípcios, os marroquinos, os palestinos, os sauditas, libaneses, entre muitos outros. Nós devemos, portanto, ter em mente que islâmico muçulmano são referentes a uma religião, enquanto árabe é referente a uma etnia, referente a língua falada: o idioma o árabe. Essa confusão se dá, porque, a religião islâmica, foi criada pelo povo árabe, e entre esse povo o islamismo ganhou muitos adeptos. No entanto, nem todo muçulmano (ou islâmico) é árabe. Os turcos, os iranianos e os afegãos, indonésios, são povos muçulmanos, mas não árabes. Isso porque não falam a língua árabe. O país que possui a maior população muçulmana do mundo, é a Indonésia, que não é árabe, mas, pratica a religião muçulmana ou islâmica. Na Europa, há diversos povos muçulmanos, como é o caso dos Albaneses, dos Bósnios, dos Chechenos, Eslovenos. Além disso, há muitos imigrantes muçulmanos em países como França, Alemanha e Inglaterra, principalmente   na atualidade, quando está ocorrendo um imigração maciça de muçulmanos, refugiados da Guerra Civil na Síria, com destino a Europa. Agora sabemos que nem todo muçulmano é árabe. No entanto, todo árabe e muçulmano? A resposta para essa pergunta é não. Apesar de a maioria dos povos árabes professarem o islamismo, há o caso do Líbano e da Síria, que apesar de serem países árabes – já que têm o árabe como língua oficial – e terem a maior parte de suas populações seguidoras do Islamismo, os dois países possuem uma expressiva parcela de sua população que é adepta do Cristianismo. Ou seja, nesses países existem muitos árabes, que não são muçulmanos, já que não seguem o Islamismo. É importante esclarecer:  islâmico e muçulmano são palavras sinônimas, mas que, apesar de estarem associadas ao termo árabe, não têm o mesmo significado. Caso você tenha alguma dúvida se determinado povo é ou não árabe, confira em um Atlas Geográfico a língua que eles falam e você terá a resposta. Vale lembrar ainda que no Brasil, há o costume de referir-se aos imigrantes árabes em geral como turcos, no entanto, isso é um equívoco, e um erro grave, uma vez que, como já dissemos, os turcos são muçulmanos mas não são árabes, uma vez que não falam a língua árabe. Esse equívoco se deu, porque quando os primeiros imigrantes vindos da Síria e do Líbano, países árabes, chegaram ao Brasil, Esses países estavam sob o domínio do Império Turco-Otomano. Portanto, esses imigrantes entravam no Brasil registrados como turcos, por isso então criou-se o costume de referir-se a todos esses imigrantes como turcos. No entanto, hoje esses países são independentes, e devemos desfazer esse equívoco, lembrando que um libanês não deve ser chamado de turco, por tratar-se de povos distintos. Criou-se no Brasil, a ideia de que todos os imigrantes árabes, deveriam ser chamados de turcos, e permanece este conceito errado até os dias de hoje. Quando abordamos esta questão dos muçulmanos, ainda nos deparamos com termos que são muito divulgados pela mídia como:  xiitas e sunitas, que seriam estes termos? Após a morte do profeta Maomé (ou Mohammed), o fundador do Islamismo e autor do livro sagrado Alcorão, houve um processo de disputa para decidir quem deveria sucedê-lo, já que o Islã não consistia apenas em uma religião desconectada do poder político. O Islã, em si mesmo, está estruturado em uma proposta de civilização que articula princípios religiosos e políticos. Da disputa pelo direito de sucessão legítima do Profeta, duas correntes tornaram-se majoritárias: os xiitas e os sunitas. Tal disputa teve seu início em 632 depois de Cristo. Quando os califas (ou os sucessores de Maomé), que também eram sogros de Maomé, Abu Bakr e Omar, tentaram organizar a transmissão do poder político e da autoridade religiosa. Essa tentativa logrou êxito até o ano de 644 depois de Cristo, quando um integrante da família Omíada, também genro de Maomé, chamado Othmã, tornou-se califa. Este passou a ter sua autoridade contestada, por árabes islamizados, que viviam próximos à Medina. Othmã acabou sendo assassinado. Ao assassinato de Othmã esteve associada a figura de Ali, primo de Maomé, que sucederia ao califa assassinado. Os muçulmanos contrários a Ali declararam guerra ao califa e seus simpatizantes. A figura mais proeminente, que contestou a autoridade de Ali, foi o então responsável pelo poder da Síria, Muhawya. Esse último decidiu apurar o assassinato de Othmã e averiguar a participação de Ali no caso. Isso foi o bastante, para que outro grupo muçulmano conspirasse contra Ali, que acabou também assassinado. Além do livro sagrado do Alcorão, os sunitas também pautam-se pela Suna, livro dos feitos de Maomé, o que acentua sua diferença com os xiitas.  Muhawya então, tornou-se um califa poderoso e transferiu a capital do califado de Medina para Damasco, atual capital da Síria. Seus oponentes, que defendiam a sucessão do califado pela hereditariedade, isto é, pelos descendentes da família de Maomé, ficaram conhecidos como xiitas, um grupo ainda hoje minoritário e que se caracteriza por ser tradicionalista, extremamente conservadores, com relação as antigas interpretações do Alcorão e da Lei Islâmica, a Sharia. Já os membros do outro grupo, muito maior em número de adeptos ainda hoje, constituindo cerca de 90% da população islâmica, ficaram conhecidos como sunitas. Estes divergem da concepção sucessória dos xiitas e, segundo, por que sempre atualizam suas interpretações do livro sagrado do Alcorão e da Lei Islâmica, levando em consideração as transformações pelas quais o mundo passou e valendo-se de outra fonte além das citadas, o Suna — livro onde estão compilados os grandes feitos e exemplos do profeta Maomé. Daí deriva o nome sunita. Portanto, os conflitos internos entres os povos muçulmanos são antigos, vindo desde a antiguidade, como uma luta interna pelo poder, sendo os xiitas os mais extremamente radicais em todos os aspectos. Estes deram   origem a grupos como:  Al Fatah, Hezhbolla (estes dois mais relacionados ao combate ao Estado de Israel, portanto movimento sionista), Boko Haram, Estado Islâmico, Al Qaeda, e outros que praticam atos terroristas.  Praticam tais atos, por não aceitarem as mudanças nos aspectos religiosos, políticos e as mudanças nas interpretações do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e conservando as antigas tradições da Sharia, além de considerarem outros povos, como seus inimigos e inimigos de Alá.  É Interessante comentar, que na cidade de Guaíra, muitos dizem que há muitos turcos. Isto é um engano e um erro grosseiro, porque no município, o que há são inúmeros imigrantes libaneses, sírios, palestinos, e um grande número de muçulmanos. A colônia de imigrantes turcos no Brasil é pequena, estando em um número muito reduzido.


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Dr. Edu Celso Nogueira Branco.

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