A farsa do pragmatismo

Opinião
Guaíra, 3 de dezembro de 2021 - 09h49

Não é de hoje que venho dizendo, por condições da nossa fisiologia cerebral, que não há como dividir emoção e razão. Nossas decisões, mesmo as conscientes, dentro do nível da “máquina” humana, são tomadas por disparos de substâncias hormonais e conformação sináptica (ligação dos nossos neurônios).

Assim, aquela decisão que parece racional é, simplesmente (grosso modo) comanda por um tipo de neuropeptídios específico para aquilo. Portanto, emocional.

A Dra. Jill Taylor, neurocientista, autora do Best Seller A cientista que curou o seu próprio cérebro, diz que não somos seres pensantes que sentem, mas, sim, seres emocionais que pensam.

Dessa forma, o pragmatismo é apenas uma forma emocional de tomada de decisão. Sempre tem um viés, um modus operandi, uma falha na visão do sistema como um todo (característica do nosso sistema de crenças e dos nossos paradigmas).

Muitos gestores de sucesso apreciam serem considerados pessoas pragmáticas. Por isso, apesar do sucesso, falam muitas asneiras e fazem muitas besteiras. Por exemplo, na atual temporada do Shark Tank Brasil, um dos tubarões não investiu em um empreendedor porque ele só buscava dinheiro, não queria contar com a experiência dos empresários do elenco do programa. No mesmo episódio, ele que é especialista em franchising, dispensou outro porque o sistema de franquias não estava estruturado. Vai entender…. 

Outro caso é o da Rede Globo, que vem dispensando seus melhores profissionais, exatamente porque são mais caros. Ora, mas são os que mantém o padrão da emissora. Além disso, mesmo em operações lucrativas, abriu mão de uma série de campeonatos de futebol (muitos que seguram assinantes, ainda, no seu sistema de canais pagos). Kaplan e Norton, lá nos idos dos anos 90 já demonstraram o risco que esse tipo de estratégia traz por poder gerar uma “bola de neve” e até levar a empresa à falência.

Por fim, mais uma decisão estapafúrdia: a do Flamengo em dispensar o técnico Renato Gaúcho. O treinador tem 79% de aproveitamento como técnico da equipe. No campeonato brasileiro, elevou em muito a situação da equipe (o Flamengo, em todo o campeonato, tem 66%, já o técnico atingiu 72%). Assim, onde está o pragmatismo? Só porque perdeu a Libertadores? É preciso lembrar que só um ganha. E o Abel, no Palmeiras? Nessa temporada perdeu tudo. Pelo mesmo critério já poderia ter sido demitido. Mas, a persistência e a crença no planejamento e na execução do trabalho, coroaram a temporada com chave de ouro.

Então, dizer ser pragmático e ter esse tipo de comportamento, não vale nada. É preciso dizer, entender e aceitar que somos emocionais. Dessa forma, o jogo fica mais limpo, inclusive na relação entre empreendedores e empregados.

Pense nisso, se quiser, é claro!

 

Prof. Ms. Coltri Junior é consultor, palestrante, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior 

 


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