A ignorância política da sociedade

Opinião
Guaíra, 23 de junho de 2016 - 10h24

Pensando sobre o momento atual vivido no Brasil, nota-se que a sociedade, de uma forma geral (sem, no entanto, generalizar), desconhece as atribuições relativas aos representantes do Poder Legislativo, como Câmara Municipal, Câmara dos Deputados Estaduais, Câmara dos Deputados Federais e Senado Federal, assim como ignora os procedimentos desses atores nas tomadas de decisões mais importantes do país. Consequentemente, também desconhecem as razões pelas quais muitos não tiveram a informação necessária para que, na condição de cidadãos, soubessem como aproveitar melhor o ato de votar. A falta de informação é tamanha que muitos achavam que, com a saída da presidente Dilma, quem assumiria o poder seria o segundo colocado nas eleições passadas. Ora! Isso é nitidamente falta de informação e de orientação política. Há, na cidade de Araraquara, um projeto bem-sucedido, intitulado “Parlamento Jovem”, que é organizado pela Escola do Legislativo da Câmara Municipal, em parceria com o Laboratório de Política e Governo da Unesp/FCL – Campus de Araraquara, e envolve 32 instituições de ensino do município araraquarense, sendo 11 municipais, 06 particulares e 15 estaduais, ofertando um curso sobre o Poder Legislativo e uma oficina de projetos de lei. O curso é optativo, porém tem grande participação dos alunos. Em outras palavras, o projeto ensina os alunos como são e o que fazem os órgãos legislativos de nosso país, ao final do curso, que dura aproximadamente 6 meses, os alunos assistem a uma sessão da Câmara Municipal de Araraquara e dela participam com um projeto de sua autoria, com direito a interagir com os vereadores. É primorosa a iniciativa de ensinar aos jovens como e para que servem tais “casas de lei” que decidem as nossas vidas, quase todos os dias, já que a maioria dos cidadãos brasileiros não tem essa informação. Indo nesse sentindo, vale ressaltar que a maioria das pessoas só ouviu falar da Constituição do Brasil na televisão; nunca, nem sequer uma só vez, teve contato com o texto da Carta Magna ou procurou saber de seus direitos e deveres. A situação é grave e, no próximo dia 2 de outubro, estaremos enfrentando mais uma vez as urnas em eleições municipais sem que a maioria dos cidadãos saiba quais são os poderes delegados aos candidatos a vereador. Para muitos, os vereadores só servem para fazer pequenos favores. A solução para esse problema talvez esteja na inclusão, no curso regular do ensino médio, de uma disciplina sobre política, que explique para que servem e como funcionam os órgãos dessa natureza e que dê aos jovens a oportunidade de uma participação mais efetiva e consciente nos rumos que o país deve tomar. De uma iniciativa dessa natureza, pode resultar uma verdadeira participação nas urnas, evitando-se, assim, que sejamos (ou continuemos) reféns da ignorância política que hoje reina no país. Acreditamos ainda que até o nível dos próximos candidatos seria influenciado, já que são esses mesmos jovens que, no futuro, constituirão o rol dos poderes instituídos. O combate à ignorância sempre passa pela educação e deve ser por ela perpassado. Vale fechar este texto com a frase de Nelson Mandela: A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.


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Marçal Rogério Rizzo

Marçal Rogério Rizzo: Economista e Professor do curso de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. E-mail: marcalprofessor@yahoo.com.br

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Silvia Felisberto Tavares

Silvia Felisberto Tavares: Discente do curso superior de Tecnologia em Processos Gerenciais do IFSP – Campus São Carlos/SP. E-mail: silfelisberto@hotmail.com

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