A ilusão de não depender

Opinião
Guaíra, 22 de abril de 2022 - 19h20

Já defendi aqui, e continuo a fazê-lo, a questão da autoajuda. Quando é levada à sério, dá poder às pessoas para que possam enfrentar obstáculos. O que não podemos é correr o risco de, de um modo totalmente contraditório ao que ela prega, nos tornamos seguidores ferrenhos e alienados dos seus pregadores.

Assim, precisamos entender, compreender, organizar e direcionar as nossas forças para aquilo que, consciente e estrategicamente, escolhemos para a nossa vida. Quando assim fazemos, trabalhamos duas vertentes de impacto em nossos sucessos e fracassos: no que somos bons e no que temos deficiências (precisamos transformar estas).

Porém, as coisas não param aí. Há questões externas a nós, nas quais não temos influência direta (e a indireta, muitas vezes, é desprezível). Assim, uma das grandes armadilhas é acreditar que tudo depende de você. Outro dia, fazendo um curso pela internet, o instrutor, mais uma vez, disse que nada importa, seja o governo, a situação econômica do país etc., etc. etc. É uma ladainha insuportável.

Caso isso fosse verdade, empresas não fechariam na pandemia, não haveria lobby (que é profissão nos EUA), não teríamos 30% da nossa bancada legislativa formada por ruralistas, dono de rede de loja popular não precisaria atuar politicamente (e de um modo estranho, já que, uma das áreas mais prejudicadas com uma inflação galopante, pela perda do poder de compra, é o comércio popular – exemplo: 22% de aumento na conta de energia significa que parte da nossa renda que poderia ir para as lojas, vai continuar nas mãos da concessionária de energia; talvez, assim como o negócio do Mac Donald’s não é alimento, mas imobiliário, o dele possa ser outro). Então, os “caras” são fortes interiormente, mas, também, atuam (com força) no contexto externo. Ele impacta!

Assim, é preciso entender que, para ter sucesso, é preciso defender os seus interesses, infelizmente. Essa é a regra do jogo. Dependemos de outras pessoas, de decisões alheias a nós, de ajuda, também, seja de um empreendedor para nos dar emprego, ou mesmo para comprar de nós (mercado B2B), seja dos nossos clientes (B2C) que decidem usar os nossos produtos e soluções, quando somos empresários.

Por isso, é preciso cuidado para não confundir herói com super-herói. Este, via de regra, é autossuficiente. Já o primeiro, não. Basta ver como se dá a Jornada do Herói: há um convite a uma jornada, precisa de um mentor, de aliados e de antagonistas (aqueles que vão lhe impor obstáculos, também). Portanto, o herói não é super-herói!

Dessa forma, não caia na ilusão da independência. Somos interdependentes, ou seja, temos que ter forças, claro, mas, sabendo (e usando a inteligência) que forças externas também atuam. E elas podem nos ajudar ou atrapalhar. É inevitável.

Pense nisso, se quiser, é claro!

Prof. Ms. Coltri Junior é consultor, palestrante, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior


TAGS:

Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

Ver mais publicações >

OUTRAS PUBLICAÇÕES
Ver mais >

RECEBA A NOSSA VERSÃO DIGITAL!

As notícias e informações de Guaíra em seu e-mail
Ao se cadastrar você receberá a versão digital automaticamente