Assim como o marketing digital é marketing, só que adaptado aos meios digitais (os princípios da ciência continuam os mesmos), liderança política deve seguir os mesmos meandros da liderança, só que voltada e adaptada ao meio da servidão pública.
Assim, devemos lembrar que a grande base da liderança é servir a uma causa, trabalhar incansavelmente para que a missão daquela instituição (seja ela pública, privada ou do terceiro setor) seja alcançada. Além disso, deve ser o guardião dessa missão.
Quando estudamos modelos de liderança, chegamos, basicamente, a três formas: a autocrática (eu mando, você obedece), a democrática (decisões em conjunto, seja em consenso, seja em consentimento – este segundo precisa ser muito bem estruturado para que não se caia da esparrela da maioria sempre vencer, sem que a minoria tenha tempo e condições de fazer-se entender sob seu ponto de vista) e a laissez faire (como diria a canção: “deixa acontecer naturalmente…” – Deixa acontecer, Carlos Caetano do Nascimento – Grupo Revelação).
Quando optamos por um desses modelos, damos mais valor à forma do que ao conteúdo. No fundo, o modelo mais adequado é o da liderança servidora (lembrando que é servir à causa, nada mais que isso). Quando assim fazemos, usamos as ferramentas e as formas que precisamos usar. Como somos guardiões da missão, quando alguém tentar desvirtuá-la, é preciso ser autocrático. Nas decisões estratégicas, desde que todos estejam imbuídos na mesma causa, é importante que haja divergências e que debates sejam estabelecidos, de modo a se poder enxergar diversos contextos e pontos de vista (acreditar que você tem – ou eu tenho – todos é um grande sinal de insanidade). Delegar e deixar as pessoas tomarem decisões, também é importante (desde que os resultados e os processos macro sejam gerenciados).
Isso tudo é fundamento da liderança. Quando estamos no âmbito público, devemos lembrar que os entes que lá trabalham (concursados, indicados, contratados ou eleitos) estão pela causa daquela unidade federativa ou federal.
O que ocorre é que, muitas vezes, a causa é própria ou de grupos específicos, gerando, por exemplo, no caso do legislativo, as famosas bancadas. Assim, a pergunta é: o deputado, ou a deputada, em que penso em votar vai estar em qual dessas bancadas? Quais interesses ele vai defender (ou já defendeu, no caso de tentativa de reeleição)? Vai servir a quem? No executivo é a mesma coisa: quais interesses o candidato, ou a candidata, representam? Se já esteve, ou está, no poder, quais foram suas linhas políticas públicas? Foram voltadas à população de um modo geral, ou a grupos específicos? É, ou tem indícios de ser, autocrático, democrático, leissez faire ou servidor? As suas ações são condizentes com seu discurso? Ralph Emerson dizia: “o que você faz fala tão alto aos meus ouvidos, que não consigo escutar o que você diz”.
Pense nisso, se quiser, é claro!
Prof. Ms. Coltri Junior é consultor, palestrante, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO do Hardcore Game Channel. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior