Disse Fernando Pessoa: “a morte é a curva da estrada / morrer é só não ser visto”. Dentro do mundo organizacional, vivemos um grande dilema: temos uma ideia, criamos a empresa, pensamos no modelo de negócios e, por isso, acreditamos existir. Claro que isso é verdadeiro. Estamos, aos nossos olhos, vivos.
Porém, a vitalidade organizacional não está ligada ao modelo “descarteano”, baseado no “penso, logo existo”. Existe, aqui, uma questão referencial. Uma empresa ganha mais ou menos vida, em um primeiro momento, conforme é mais ou menos vista, conhecida, lembrada.
Óbvio que uma visibilidade pautada em um produto ruim (seja ele tangível ou intangível), em uma péssima experiência ao cliente e com um preço não condizente com suas características e ou benefícios, não fará milagres, não dará condições de sobrevivência ao negócio.
Não à toa, marketing não é publicidade, embora esta faça parte do primeiro. É necessário que haja condições estratégicas entre todos esses entes: produto, praça (incluindo a logística), preço e publicidade.
O grande problema é que, infantilmente até, muitos acreditam que um bom produto se sustente sozinho. É como se fosse assim: a pessoa tem uma grande ideia, anjos descem do céu e fazem os clientes potenciais procurá-la (muitas vezes em situações nas quais os próprios clientes potenciais não saibam que assim o são, por falta de consciência da necessidade enxergada pelo empreendedor).
Dessa forma, uma empresa, para ser viva, precisa ser vista. Sua luz precisa iluminar além de sua sede (predial ou virtual). O publicitário Stalimir Vieira compara a publicidade à conta de luz. Se não pagarmos a conta da distribuidora de energia, ela corta nossa luz. Ficamos no escuro. Quando o empresário não paga a conta da publicidade, acontece o mesmo: a nossa luz fica apagada aos olhos de nossos clientes, portanto, ficamos no escuro.
Voltando ao Fernando Pessoa, é como se os nossos potenciais clientes estivessem todos em uma rua. Nela, há uma curva. Nossa empresa fica depois dela. Não somos vistos. Se alguém de fora chegar e perguntar para uma dessas pessoas se ela conhece alguma empresa que possa ter o produto/serviço que ela precisa, nós não seremos indicados (por motivos óbvios).
E aí entra outra questão: o boca a boca. Muitos creem que funcione. E funciona! Mas há um requisito prévio: alguém, para indicar, precisa conhecer a empresa, também.
Dessa forma, não há outro meio de uma organização sobreviver ao longo do tempo: ser conhecida. Portanto, é preciso pagar a conta da publicidade, é preciso investir na propagação e fortalecimento da marca. A marca, marca! Como empreendedor, não adianta a minha empresa ficar apenas à luz dos olhos meus. Ela, precisa, também, estar à luz dos olhos teus.
Pense nisso, se quiser, é claro!
Prof. Ms. Coltri Junior é influenciador de negócios, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior