A regra dos 90 segundos

Opinião
Guaíra, 23 de maio de 2019 - 08h30

Na semana passada, falávamos sobre os estudos da Dra. Jill B. Taylor, autora do Best-Seller ”A cientista que curou o seu próprio cérebro”. Segundo ela, por conta do processo de entrada dos estímulos e da estrutura biológica de recepção que nós temos, podemos dizer que somos seres sensitivos que pensam, e não seres pensantes que sentem.

Ainda segundo a neurocientista, existe a lei dos 90 segundos. Essa lei parte de estudos que mostram que os estímulos recebidos liberam noradrenalina, que invade nossa corrente sanguínea. A questão é que ela é absorvida em 90 segundos, momento em que o sentimento em relação àquela causa deveria desaparecer. Quando sentimos muita raiva, por exemplo, a grande sensação ocorre dentro desse tempo. Se assim o é, então por que continuamos com esse sentimento ruim em relação a alguém por muito mais tempo? Exatamente porque, por meio da nossa cadeia pensante, retroalimentamos o sistema e, com isso, disparamos, via cérebro ”pensante”, a sensação novamente.

Isso ocorre porque temos o que a Dra. Jill chama de ”atenção plena”, que é a habilidade de observar os circuitos neurais que estão operando em nossa cabeça. Mais que isso, somos capazes de dominar e mudar os nossos pensamentos. Isso se explica porque somos mais do que seres biológicos. Rudolf Steiner, por meio da ciência fenomenológica, demonstra que temos, didaticamente, quatro corpos: o Físico, o Etérico, o Astral e o Eu. Esse ”Eu” somos nós em essência, ou seja, é o que somos além da nossa estrutura biológica. Assim, como fruto de muito treinamento, ganhamos a habilidade de dominar o nosso corpo por meio do que o ”Eu” determina sobre o que pensamos. Assim, temos o poder de decisão sobre nossas vidas, sobre como enxergamos o mundo.

Na canção Telegrama, Zeca Baleiro nos mostra isso. Diz a música que a personagem estava ”triste, tristinho; mais sem graça que a Top Model magrela na passarela”, mas, pelo simples fato de receber um telegrama dizendo: ”Nêgo, sinta-se feliz porque no mundo tem alguém que diz que muito te ama”, tudo mudou (mesmo não tendo mudança da realidade, apenas de percepção dela).  A partir daí, então, a personagem acorda ”com uma vontade danada de mandar flores ao delegado; de bater na porta do vizinho e desejar bom dia; de beijar o Português da padaria”.

A grande questão é que, embora o sentimento tenha uma força imensa em nossas vidas (e vivemos dele), cabe a nós decidirmos o que queremos sentir (a cada 90 segundos). Somos, assim, responsáveis por isso. Pense nisso, se quiser, é claro!


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Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

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