A verdadeira herança

Opinião
Guaíra, 30 de janeiro de 2016 - 09h05

Atualmente vivemos em um mundo de competição, dando valor aos bens, ao trabalho, se esquecendo do primordial, que são as boas ações praticadas. O islamismo encoraja a pessoa a ter riquezas, conquistar seu espaço no mercado de trabalho, mas não coloca tais objetivos como metas principais, onde o muçulmano deve sempre saber que jamais pode deixar o principal, que são os valores e a boa conduta. Mas, ao mesmo tempo, a riqueza não é a maior bênção que pode ser dada à humanidade.  Além disso, independente de quanta riqueza uma pessoa tem, no fim ela passará para as mãos de outros. Na realidade a maior parte do dinheiro que uma pessoa possui terminará nas mãos de seus herdeiros e somente aquela parte que foi gasta no bem e com causas justas poderá beneficiar na outra vida. Deus assim diz sobre os bens e filhos: “Os bens e os filhos são o encanto da vida terrena;  por outra, as boas ações, perduráveis, são as mais meritórias e mais esperançosas, aos olhos do teu Senhor.” (Alcorão 18:46). O Profeta Muhamad SWS, disse: quando um ser humano morre, três coisas o acompanham até a sepultura, sendo que duas voltam e uma fica com ele, quais sejam: seus bens, sua família e suas ações. Neste relato vemos que por mais que o ser humano de preferência a sua riqueza, esta ficará na hora de sua morte e muitos ainda brigam por conta dela, o mesmo ocorrendo com seus filhos e sua família, que irão o acompanhar até na hora de seu sepultamento, voltando para casa após. Somente ele levará consigo as boas ações praticadas nesta vida. Dinheiro e filhos podem ser um conforto e um prazer dessa vida, mas ações virtuosas ficarão para sempre – não a família ou riqueza.  Essas ações virtuosas trarão para a pessoa a satisfação de Deus e através disso uma pessoa pode ter esperança de uma recompensa eterna na outra vida. O Alcorão no verisculo abaixo no mostra o exemplo desta vida: “Sabei que a vida terrena é tão-somente jogo e diversão, veleidades, mútua vanglória e rivalidade, com respeito à multiplicação de bens e filhos; é como a chuva, que compraz aos cultivadores, por vivificar a plantação; logo, completa-se o seu crescimento e a verás amarelada e transformada em feno.  Na outra vida haverá castigos severos, indulgência e complacência de Deus.  Que é vida terrena, senão um prazer ilusório?” (Alcorão 57:20). O que adianta o ser humano viver essa vida apenas para ganhar dinheiro, dando seu tempo exclusivo para o trabalho, se esquecendo de sua família, das obrigações com Deus, das obrigações com a sociedade em que vive, onde irá perder o tempo livre, sua juventude, sua saúde e nada levará consigo de valor para a outra vida. Do mesmo modo não adianta o ser humano achar que a benção de ter um filho, se resume a dar uma faculdade, uma escola particular, se esquecendo de regras básicas conforme acima citado. O islamismo como um código de vida é uma religião equilibrada, dando o direito de cada um, havendo assim equilíbrio na vida do ser humano. Por isso devemos sempre dar valor as boas ações que praticamos, aproveitando ao máximo esta vida, dando o tempo e o direito de Deus, o direito da nossa família e filhos, o direito do trabalho, o direito do lazer, o direito da sociedade em que vivemos, ganhando assim as ações nesta vida e na outra.


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Girrad Mahmoud Sammour

Girrad Mahmoud Sammour, Advogado, Pós Graduado em Processo Civil, Professor Divulgador Do Instituto Latino Americano De Estudos Islamicos-Ilaei, Diretor Da Mesquita De Barretos-Sp. Dúvidas e palestras  [email protected]

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