As lições do Vitor Pereira

Opinião
Guaíra, 29 de agosto de 2022 - 14h42

Deu muito o que falar a declaração do técnico do Corinthians, o português Vitor Pereira, quando questionado se achava que seu cargo estava ameaçado. A resposta: “Você deve […] estar a brincar com essa pergunta. Eu nessa fase da vida e carreira, ter medo de perder o emprego? Sabe quanto dinheiro eu tenho no banco, amigo? Eu tenho a vida estabilizada, eu estou no Corinthians e se não estou aqui estou em outro clube qualquer e quando eu quiser”.

 

Para as torcidas organizadas do Timão (que diga-se de passagem, não são exemplo de paz, nem de exemplo de civilidade, de convívio social, assim como as das outras equipes, também), para muitos jornalistas esportivos e muitas outras pessoas, a fala soou como falta de humildade.

 

Precisamos entender que humildade não é humilhação. É saber o seu tamanho, sua real condição. Como diria a personagem Seu Saraiva: “pergunta idiota, tolerância zero”. Ele, na verdade, deu uma aula de gestão financeira, de meta, de como deveria ser a relação equilibrada de trabalho. Ele disse, em seu modo, que não está no Corinthians por dinheiro. Está porque quer, porque gosta. Poderia estar em outro lugar.

 

Uns dos grandes problemas sociais que temos é a síndrome do vira-lata. Queremos nivelar por baixo. Tempos atrás, rodou pela internet um post dizendo que os vereadores deveriam ganhar como os professores. Pensamento pequeno. De que adiantaria isso para os professores? Nada. O que deveria acontecer é que os professores deveriam ganhar como os vereadores. 

 

No nosso dia a dia, via de regra, estamos preocupados em perder nosso emprego, não por deixar de servir e de nos realizarmos (que são a essência do trabalho humano), mas por faltar dinheiro para pagarmos nossas contas. Grande parte (grande, mesmo) das pessoas precisam engolir sapos imensos, tolerar assédio moral (que acontece numa quantidade imensurável, mas é como se fosse um elefante branco no meio da sala: todo mundo vê, mas ninguém fala sobre ele). Bom seria podermos ter a condição do Vitor Pereira: trabalhar com o que gosta, porque gosta, sem se preocupar com a capacidade (ou falta) de pagar as contas no fim do mês.

 

Infelizmente, as coisas não são assim. A grande maioria das pessoas carrega a carga do trabalho como castigo (arquétipo da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, tendo que trabalhar para poder comer), ao invés da realização (arquétipo da construção do mundo, por Deus, ao dizer que achava que era bom ao terminar cada ciclo de realização).

 

Portanto, algumas lições ficam da história: cuidado com a falsa humildade, ela engana; a meta maior é poder trabalhar, realizar, sem depender do dinheiro para pagar as contas (é a volta ao paraíso, é a condição de Deus, não para sê-lo, mas para refletir a sua imagem e semelhança); a liberdade plena passa pela liberdade financeira. O bom é nivelar por cima.

 

Pense nisso, se quiser, é claro! 

 

Prof. Ms. Coltri Junior é consultor, palestrante, adm. de empresas, mestre em educação, professor, escritor e CEO do Hardcore Game Channel. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior 

 


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Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

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