Autoestima

Opinião
Guaíra, 26 de fevereiro de 2016 - 09h35

Tanto dizem sobre autoestima, estarmos sós; textos de monte jogados em sites diferentes com técnicas para conquistar a tão querida independência emocional. Prazos aleatórios que variam entre 06 a 12 meses estando só com sua companhia, ou aquele papo de metade do tempo do antigo relacionamento, entre tantas outras formas. Por exemplo, quantas vezes você já leu algo sobre “se olhe no espelho, é nele que você encontra a pessoa que tem que doar seu amor”. No fim parece clichê, mas de tanto ler o explícito o subconsciente armazena alguma informação e você só percebe quando deixa aquela roupa largada de dormir e coloca um pijama, penteia o cabelo e se deita. Aí está o ponto, você se aconchega com os travesseiros, se amontoa na cama na posição que desejar e não olha para o lado parado no tempo. Alguma coisa mudou. Você. Prazer seja bem-vindo e permaneça. Por muitos, seja pela adolescência imatura e inconsequente, em que houve troca de namorados como quem troca a escova de dente “não me serve mais, próxima”, seja pela falta do silêncio que nesse momento é ensurdecedor, ou pelo amor em falta ou excesso que te envolta, você vive como quem busca um amor desenfreado a cada esquina, com a súplica de “me ajuda a dar um sentido a isso aqui que chamam de vida”. Todos os dias você fala sobre alguém ou algum tipo de relacionamento, você pensa nele ou em algo que o envolve ou que ele gostaria, você cria fórmulas e joga jogos onde ninguém na verdade sai ganhando. Crescemos com o parâmetro estabelecido pela sociedade de que ter alguém é uma meta de vida, “olha lá, aquela menina nunca beijou na boca, nunca namorou deve ter algo errado” deixa a menina quieta, pra que tanta critica se no final das contas à felicidade para cada um é seu cada qual mesmo? Desvincular-se de algo que se tornou nosso e passou a ser parte do que somos é a parte mais difícil, quando veem as dúvidas e começamos a nos questionar o que nos move, “por qual razão ainda estou nesse relacionamento? Por qual motivo ainda quero estar com essa pessoa? Não sinto amor e porque me nutro dessa mentira? Realmente preciso disso?” Entre variáveis perguntas que só nos demonstram a insatisfação pessoal ao qual nos mantivemos há anos. É fato que nessa situação nos apaixonamos pela ideia de estarmos apaixonados, e a paixão é sim uma sensação linda, mas convenhamos, não pela ideia do possível, e sim por aquele sorriso que rouba as batidas do seu coração por milésimos de segundos que se fazem perceptíveis, e é incrível. Mas quando você consegue colocar esse estereótipo da solidão ser negativa em uma caixa de sapato enterrada atrás do córtex cerebral você conhece um novo mundo, onde os valores são outros e mais puros, onde as relações são por vontade, e o contato por desejo, e estar só é só mais um momento com você mesmo, de tantos outros em que esse momento será sua melhor companhia. Tem prazo, tempo sim, o tempo de nos desgarrarmos das amarras do comodismo de um braço para deitar, de alguém que lhe elogie a roupa para você não ter o trabalho de abastecer seu ego sozinho, alguém que te acompanhe em um cinema e depois jante com você, entre outras. Essas sensações retomam, mas diferentes, sem o peso de uma mochila nas costas, apenas como uma brisa leve que move seus cabelos entre um passo e outro, e essa sensação te encanta. Quando eu conheci a força que o meu amor próprio tinha eu me conheci, descobri o quão forte eu também sou, e o quanto vale a pena o clichê de se olhar no espelho, ria ou não, mas você se ama e isso acontece com certa frequência. Quando fui apresentada ao meu ego conheci a então independência emocional, os limites ao qual me permito estar, e consegui entender a importante diferença entre o querer unilateral e o querer mútuo; me respeitei, fui fiel a mim e minhas vontades, e descobri um mundo que se escondia por trás do sorriso de gente alegre que hoje carrego todos os dias comigo. Não me importo de hoje ser segunda ou sexta, se vou para uma festa e voltar para casa desacompanhada, se ficarei um sábado à noite sozinha ou se assistirei ao Fantástico com meu edredom, pois sei que em todos os lugares e em qualquer situação eu estou completa, e sou uma pessoa feliz. A vida fica leve e você começa uma fase maravilhosa, onde as coisas fluem; foi quando aprendi a viver o momento, aquela frase de deixe o passado para trás que ele não volta, passa a fazer todo sentido, lá sem dúvidas realmente é o lugar dele. Quanto ao futuro, sem preocupações ou ansiedade, o que vier lhe cairá bem, você tem o poder da escolha e pelo tanto que se ama e se respeita não se colocará em uma situação que possa vir a te tirar do seu eu simplesmente porque nada vale a pena a ponto de se perder. E para quem diz que a solidão é triste apresento a solitude (isolamento ou reclusão voluntária, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo) e informo com conotação de afirmação que existe uma alegria alcançável a todos sem procrastinação. Hoje vivo um amor, e ele é genuíno, acordo e ligo o som, escuto minha música vício do momento, canto com a escova de cabelo fazendo meu show particular para as paredes do quarto, leio, danço, me divirto e vivo, para o dia de hoje. Sabe quando você sente que está apaixonado ou ama uma pessoa e deixaria de ir ao aniversário da tia para levá-la ao cinema? Sim, você deixa de sair com os amigos porque hoje não está afim, você abdica aquela balada boa porque hoje quer silêncio, você troca sua cama por uma boa bebida e boas músicas, e em qualquer situação você pode dar lado a sua vaidade se quiser, ou pode simplesmente optar por se sentir confortável.  Assim como no sentimento compartilhado, no sentimento pessoal também temos prioridade; a diferença errada é que quando estamos com alguém, saímos do eixo e entregamos para a pessoa nossa felicidade em forma de expectativas e esperamos que ela nos dê motivo para termos ânimo, sendo que a nossa felicidade é unicamente de nossa responsabilidade; então enquanto não entendermos que somos inteiros, compartilharemos por aí nossas metades em busca de preenchimento. E na boa? Você já teve a oportunidade de se relacionar com alguém inteiro? Provavelmente sim, mas não deu certo não é? Porque temos o amor que achamos que merecemos, e uma metade não merece um inteiro, não consegue fazer a energia fluir. Quem é inteiro não quer te elogiar para você se sentir bonita, quer te elogiar porque te acha bonita, e quer estar ao seu lado porque você sabe disso. Quem é inteiro não quer uma estrutura no esqueleto, quer o prédio pronto, para que possam juntos escolher as cores que vão pintar a parede da sala, do quarto, e qual sofá mais confortável para servir-lhes na partilha. Quem é inteiro quer dar amor não porque você precisa sentir, apenas porque ele sente e não tem problema nenhum que você saiba disso. Você pode ser um bom partido, mas será muito melhor se for inteiro. E se algo incrível acontecer, se uma sensação vier a te trazer boas vibrações e trouxer consigo a vontade de ficar, se de alguma forma te acrescentar em algo e for o seu riso solto em um contexto qualquer, você se permite viver, e viverá, pois terá consigo a leveza, a paz e a tranquilidade que tanto passa a lhe encantar nessa trajetória. Enquanto isso não acontece, me deixa quieta no meu canto, com meu amor genuíno e minha felicidade plena; meus livros séries filmes e músicas, me deixa comigo, que sim, eu me cuido.


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Manuela Baldiotti Ponci

Manuela Baldiotti Ponci, advogada e amante da vida.

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