Uma das coisas mais difíceis quando se tem uma boa ideia, é mostrá-la para alguém. Seja por não estar na mesma “vibe” do inovador, não entender o contexto, ou mesmo manter o status quo, as pessoas acabam por tentar matar essas boas ideias.
Malcolm Gladwell, em O ponto da virada, mostra um caminho para passarmos por esses obstáculos. Ele nos diz que existem 4 grupos de pessoas, em sequência, que compram as ideias novas.
Os primeiros são os com características inovadoras, que gostam do diferente, de aventuras, de risco. Gostam de se sentirem únicos, singulares. Assim, experimentam mais.
Com o uso e adesão desses, aparecem os chamados Primeiros Adeptos. Estes não estão preocupados com a singularidade, mas com a qualidade e a usabilidade do produto. Ainda é um grupo pequeno.
O que ocorre é que, somando esses dois grupos (Inovadores e Primeiros Adeptos), via de regra, não há escala suficiente para garantir o real sucesso do produto ou serviço. É um momento crítico, no qual o projeto pode morrer.
E isso ocorre porque a passagem para o outro nível não é um processo natural. Há um hiato, aqui. É preciso que a comunicação funcione para que mais pessoas saibam da existência e do sucesso de uso da novidade. Nessa fase, o papel da comunicação é primordial. É preciso “viralizar”. Assim, os comunicadores, experts e vendedores precisam entrar em ação (ver artigo sobre a Regra dos Eleitos).
Em isso ocorrendo, entra em cena a Maioria Inicial. Esse grupo não gosta de aventuras e, normalmente, não “conversa” com os Primeiros Adeptos. Precisa ter certeza da qualidade e só usa produtos testados e aprovados pelo mercado (função exercida pelos Primeiros adeptos). Em entrando em ação, passa a dar escala de vendas e o aumento do faturamento começa a trazer lucratividade.
Há, ainda, dois outros grupos a serem impactados: a Maioria Posterior e os Retardatários. Grupos mais conservadores.
Assim, toda grande ideia passa por dois momentos críticos: quando para, estanca, nos Primeiros Adeptos, não atingindo um grande número do público-alvo; e, como primeiro filtro, aquele momento em que é apenas uma ideia, ou um protótipo, antes mesmo dos inovadores terem acesso, de modo que qualquer opinião possa provocar a desistência. É sobre essa fase que Hugh MacLeod, em Ignore Everybody, diz “boas ideias têm infâncias solitárias”. Ou seja, ninguém quer ser o pai (o a mãe) da criança. E tentam matá-la.
É claro que é bom ouvir opiniões e considerações para não entrar em furadas, mas, com estudo de mercado, de tendências, de comportamentos, e com estrutura comunicativa de largo alcance, deve-se, sempre, seguir em frente, apesar dos “tubarões”.
Pense nisso, se quiser, é claro.
Prof. Ms. Coltri Junior é estrategista organizacional e de carreira, palestrante, adm. de empresas, especialista em gestão de pessoas e EaD, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior