Carnaval de Rua

Opinião
Guaíra, 18 de março de 2019 - 10h11

A questão sobre este evento não é se posicionar contra, mas ter em mente de que em qualquer evento popular estabelecer o bom senso que é, antes de tudo, um direito. Isto porque diante da realidade dos fatos não tem argumentos. Furtos, agressões, estupros alcoolismo, homicídios, roubos, atos obscenos, drogas e tráfico. Enfim, uma miscelânea de atos e situações criminosas que fere a decência humana nestes eventos pelo Brasil afora. E tudo isto sob olhares complacentes das autoridades públicas negligenciando regras, e eventos estes festejados sem qualquer reflexão crítica destes detalhes pela mídia. Entretanto, sem qualquer receio, as redes sociais mostram com detalhes flagrantes desta decadência moral. Por outro lado, aos poucos, os desfiles glamorosos com ares de magnetismo vão se definhando para um lado pouco convencional o sócio-político e religioso.

Guaíra tem seu carnaval de rua patrocinado como deveria ser pela iniciativa privada, as cervejarias e o comércio em geral, mas ele é promovido e totalmente patrocinado pelo poder público municipal em um populismo descarado. Em um círculo de 100 km ao redor do município de Guaíra e tendo como promotor deste evento somente a Prefeitura Municipal dando assim uma festa popular gratuita para toda região a custa, sim, do erário público do Município, que provém de toda população através dos impostos pagos.

Não é função pública a promoção deste tipo e outros eventos e a própria Constituição Federal dispõe da função pública. Afinal, esta atitude do agente político do município age em contrassenso diante da precária saúde em que passa Guaíra, onde a Santa Casa passa por uma crise financeira sem precedentes e pede socorro. As escolas municipais carecem há anos de um sistema de refrigeração, o ar condicionado, a fim que se dê mais conforto às crianças em dias de calor insuportável, dificultando o aproveitamento escolar. Assim sendo, a função pública deve ser direcionada para uma política no sentido de colocar a escola pública, a dos mais humildes, no mesmo patamar de conforto e ensino das escolas privadas a dos mais privilegiados. Aí está uma questão moral de um efetivo combate à desigualdade.

Ora, o município de Guaíra é possuidor de um PIB e um orçamento anual expressivo regional, porém, o gestor público é incapaz pela mediocridade de realizar os tão necessários investimentos diante dos vários imóveis abandonados pela cidade, verdadeiros cortiços, que poderiam ser revitalizados e beneficiar toda municipalidade. Todas as vias públicas estão esburacadas, sujas, mato em abundância pelas sarjetas, um trânsito caótico e uma incapacidade impressionante para instalar a área azul na região central da cidade. Guaíra, hoje, está transformada em um bairro periférico de uma grande cidade.

As competentes atribuições de um gestor público, o Prefeito, está na base de seu planejamento para a cidade, o que não possui esta administração municipal, na organização do secretariado, o que não tem, na direção dos serviços e nas obras da municipalidade, o que também não existe na gestão pública.

É importante uma reflexão crítica neste momento em que a nação brasileira luta por mudanças e uma profunda transformação em Guaíra é urgente não apenas em seus valores pessoais, mas principalmente mudar os paradigmas transformando a urbs de Guaíra evitando os gastos desnecessários, mas sim investir em obras e soluções que projetam para gerações futuras, como foi realizado pelos administradores das décadas 1970/80 o período áureo das gestões públicas.

Hoje, Guaíra encontra-se na simplicidade pela mediocridade. Por fim, as toneladas e mais toneladas de lixo produzido pelos foliões durante o carnaval pelas cidades do Brasil, levanta a questão, como construir o planeta ideal para que a humanidade possa atingir o vértice da civilização se os próprios humanos não possuem a plena consciência de melhorar e preservar seu próprio habitat?

Na civilização atual existe uma contingência na conservação não apenas do meio ambiente da natureza, mas na preservação da moral do ser humano, no respeito à dignidade do próprio corpo humano cuja finalidade maior é a proteção da sobrevivência do hoje e do amanhã, onde possa existir a saúde e o bem estar de todos.


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Paulo Sérgio Lelis

Paulo Sérgio Lelis é Mestre em Direito Público

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