Construção de cidadania

Opinião
Guaíra, 8 de setembro de 2016 - 08h08

 

Depois de um período de descanso, o Rio de Janeiro volta aos holofotes mundiais nesta semana como sede da Paraolimpíada 2016. Os jogos paraolímpicos são disputados por atletas que possuem algum tipo de deficiência, em 23 especialidades esportivas adaptadas, como vôlei sentado, basquete e tênis de cadeira de rodas, e futebol para cegos. Realizadas a partir de 1960, na Olimpíada de Roma, as paraolimpíadas, ou paralimpíadas, como alguns insistem em chamar, vêm crescendo em cobertura na mídia pelo seu importante significado. A competição contribui para a construção de um mundo mais pluralista que necessita respeitar e conviver com as diferenças. Nas paraolimpíadas, é possível ver que as pessoas com deficiência física ou mental não precisam de compaixão, mas de estímulos e de apoio para que possam conviver em seu cotidiano com acessibilidade e demais estruturas adequadas.

Há muito que o Brasil vem melhorando nesse quesito. A meta dos organizadores da Rio 2016 é que o país chegue entre os cinco primeiros no quadro de medalhas, fazendo parte do rol das potências paraolímpicas. Isso só será possível pelo trabalho que a sociedade realizou nos últimos anos, melhorando as condições de vida das pessoas com deficiência. As leis de acessibilidade e de contratação de cotas de deficientes ajudam na inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho, auxiliando na busca saudável pelo exercício da cidadania.

O CIEE, que possui 52 anos de experiência na inserção dos jovens no mercado de trabalho, também se inclui entre as entidades assistenciais que atuam na proteção e no desenvolvimento profissional dessa importante parcela da população. Com o programa CIEE de Pessoas com Deficiência, lançado em 1999, promoveu a contratação de mais de 12 mil pessoas para estágio ou emprego efetivo. Mais do que simplesmente cumprir a Lei de Cotas, o programa abre oportunidades de uma vida digna para jovens que, superando obstáculos, capacitam-se para exercer uma atividade produtiva. Isso, por si só, aumenta sobremaneira a autoestima dessas pessoas, já que a deficiência não é impedimento para uma vida feliz.

Os atletas paraolímpicos de mais de cem nações, inscritos na competição, mostrarão mais uma vez belas histórias de superação. Os títulos, se chegarem para o Brasil, serão benvindos; mas, na verdade, o significado das paraolimpíadas é muito maior do que uma mera disputa por medalhas.


TAGS:

Luiz Gonzaga Bertelli

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Ver mais publicações >

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

OUTRAS PUBLICAÇÕES
Ver mais >

RECEBA A NOSSA VERSÃO DIGITAL!

As notícias e informações de Guaíra em seu e-mail
Ao se cadastrar você receberá a versão digital automaticamente