De volta para o passado

Opinião
Guaíra, 2 de fevereiro de 2016 - 10h12

A cidade onde passei os meses de férias da minha infância cresceu junto comigo. Assim como superava a cada mês os centímetros da minha estatura, os limites da cidade extrapolaram em muito o que eu conhecia. Mas a cidade que se mostrava imponente e prendeu todos os guairenses e também seus filhos postiços em um domingo à noite para verem no Fantástico a cidade mais rica do Brasil não existe mais. Os parques, tão comuns na cidade e que eram reduto de menores de idade ávidos por brincadeiras inocentes, hoje se destacam por um óbvio abandono, com a grama alta e o fim das flores. As ruas e avenidas, com a célebre organização das ruas pares e avenidas ímpares, perderam todo o charme ao expor diversos e profundos buracos. As escolas e creches públicas mostram prédios obsoletos com a pintura desbotada, mostrando as suas camadas internas, alguns até ser visível o esqueleto. A jardinagem foi deixada de lado e mais parecem prédios abandonados. A rodoviária parou no tempo. Como se tivesse ficado intocada, à mercê da chuva e do vento, com a placa mostrando o seu nome parecendo de um filme antigo de faroeste. O lago, cartão postal da cidade, está com bancos quebrados e a grama, em alguns locais, de tão alta impede de ver o espelho d’agua. Apesar de serem medidas simples, o patrimônio da cidade nitidamente não vem sendo conservado e Guaíra, a outrora cidade mais rica do Brasil, parece ter parado no tempo. Ao voltar à cidade após tantos anos, fiquei surpreso como as crianças hoje não podem ter a mesma diversão que eu tive. A cidade parece entregue às moscas. Ou seriam aos ratos e cobras?


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Marcus Ernesto Lacativa

Médico cirurgião – Rio de Janeiro.

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