Desigualdade: uma questão global

Opinião
Guaíra, 9 de abril de 2016 - 08h16

Um assunto muito presente na campanha eleitoral que acontece nos Estados Unidos para eleger o sucessor do presidente Barack Obama é a desigualdade. No país de maior economia do mundo não se discute apenas imigração e política externa. Jornadas de trabalho que aumentam, salários que diminuem e falta de segurança no emprego afetam a classe média americana. Em decorrência desses fatos, a questão da distribuição da riqueza ganhou proeminência. No país considerado a terra das oportunidades cujo epicentro é a meritocracia, a classe média está estagnada e afirma-se que a fantasia acabou faz algum tempo. A razão disso precisa ser discutida e compreendida, mesmo porque é uma questão de dimensão global. A concentração de riquezas na mão de poucos não é novidade e nos dias atuais 62 bilionários possuem o equivalente ao que têm juntos 3,6 bilhões de pessoas mais pobres correspondente à metade da população do mundo. Nada contra Bill Gates e outros mais, possuidores de riqueza extrema. Não devemos focar a desigualdade de renda no topo, como afirma o sociólogo Richard Sennet, professor da Universidade de Nova York. As causas das desigualdades têm outras razões. A globalização e seu consequente deslocamento de empregos pelo mundo e a revolução digital são questões muito presentes quando o assunto é desigualdade, especialmente nos países ricos. Tablets, computadores, celulares e smartphones são exemplos eloquentes do avanço tecnológico. Esses aparelhos tornam nossas vidas mais produtivas, entretanto, para serem acessíveis em escala mundial, precisam ser fabricados com mão de obra barata dos países asiáticos. Um iPhone fabricado na Suíça seria tão caro que poucas pessoas no mundo poderiam comprá-lo! O progresso tecnológico precisou da globalização para expandir-se pelo mundo. O Brasil fabrica aviões e exporta para vários países do mundo utilizando o expediente da globalização ao mesmo tempo que importa peças feitas em países que têm alta tecnologia para produzi-las. Não só nos Estados Unidos, mas igualmente na Europa, as oportunidades estão diminuindo àqueles que têm diploma universitário. E, há menos empregos para os que estão em baixo na escala social e querem ter uma vida melhor. A noção de mobilidade social tem hoje uma visão considerada antiga, uma vez que existem menos possibilidades de trabalho para a classe média em muitos países do mundo. A partir da crise de 2.008 os países ricos atravessam uma estagnação que afeta a renda de suas classes médias e baixas e não se pode desconsiderar os efeitos da globalização e tecnologias que agravam essas desigualdades. Diante de tais situações, fica a pergunta: E o Brasil diante de tudo isso? Não é segredo que a desigualdade pode ser reduzida em um país de renda média como o nosso e uma das maneiras é através da melhoria da educação. Esse expediente independentemente da globalização e das tecnologias, é crucial para ajudar a superar tantas questões que remontam ao império e afligem o Brasil até hoje. O Brasil, para diminuir suas desigualdades, precisa de um projeto educacional sério com defesa de valores cívicos, tão em desuso nos dias de hoje. Sem isso, vamos ficar nessa conversa vaga sobre direitos humanos, questão de gênero, ecologia e desenvolvimento sustentável, tão em voga nos dias atuais. De outro lado é preciso lembrar que desigualdade social e pobreza são reduzidas com crescimento econômico e não adianta tentar atacar a desigualdade sem crescimento.


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Aloizio Lelis Santana

Engenheiro

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