Eles eram foliões da pesada. Agora são campeões graças a um destaque muito especial daquela escola: o professor Nogueira. Quem diria! Ele tem vinte e seis anos e os ex-foliões o veneram. É o professor ‘da hora’.
Tudo começou lá no sítio onde foi criado pelos pais lavradores. Ia à escola pública, sempre enfrentou dificuldades mas nunca desistiu. Estudava com dedicação e aos vinte e um já era formado. Atuando como professor do ensino médio, enfrentou desafios. Seus alunos não queriam nada-com-nada, eram foliões. Até que, um dia, tudo mudou.
O professor levou seu violão para ensinar matemática. Exemplificou com a música, sambas e outros ritmos as equações matemáticas, explicando as distâncias tonais dos acordes até chegar aos cálculos integrais das harmonias.
Conseguiu ensinar a temida tabela periódica da Química levando os alunos às margens do Rio Doce, ali perto da escola, diante do maior desastre ecológico brasileiro. À suas margens, ensinou os números atômicos, as valências, os spins dos metais e não-metais, dos ferrosos e outros lesivos ao ambiente, cujos sinais tóxicos estão claramente expostos.
Previu com eles a proliferação dos pernilongos e a volta da febre amarela, diante do sumiço dos sapos e rãs, predadores de larvas. Os alunos aprenderam e tornaram-se colaboradores no saneamento, desenvolvendo um novo filtro para água de mina feito com pedras, cascalho e areia para uso da população ribeirinha.
O diretor da escola ficou surpreso, os pais dos alunos reconheceram, o Brasil ficou sabendo e, dentre outros tantos professores valorosos no nosso sofrido país, o professor Wemerson da Silva Nogueira foi reconhecido e indicado a concorrer ao prêmio internacional ‘Global Teacher’, em Dubai – Emirados Árabes Unidos.
Vai para lá em 19 de março e se ganhar o prêmio de um milhão de dólares – concorrendo com vinte mil outros inscritos – aplicará tudo num projeto de aperfeiçoamento dos professores de sua escola, em Nova Venécia-ES.
Esta é a nossa escola campeã deste carnaval do samba da vida. Com um professor destaque deste, quem não se anima? E nem precisa de fantasias…