Escola “sem partido” e Escola integral

Opinião
Guaíra, 31 de maio de 2016 - 08h00

Enquanto a liberdade intelectual, de ensino e de aprendizado nortearem a Educação, o sentido social que funda as bases da escola, seja ela pública ou privada, estarão garantidos! A concepção de qualquer projeto que insinue o processo de educar como dogmatização ideológica, política, de gênero ou qualquer outra, ofende o professor como profissional, os discentes em sua capacidade de compreender e mais ainda de criticar, assim como a sociedade que deposita na Escola, fé pública, enquanto instituição comprometida com o desenvolvimento social, político e humano, nas suas várias disciplinas e competências atribuídas. A laicização do ensino, assim como, o processo de redemocratização da escola são as bases nas quais se sustentam todo o processo educacional contemporâneo, a escola como qualquer sociedade, só existe, enquanto vínculo de confiança, entre as partes. Nessa premissa pergunto: A quem serve duvidar da escola? Dos professores? E dos vários profissionais que estão naquele espaço, trabalham e dedicando suas vidas a educar? Nossos “alunos” não são tábuas rasas fazendo menção a proposta filosófica do conhecimento de John Locke, eles têm família, têm história, têm religião, acesso aos meios de comunicação em rede e mídias sociais, têm senso crítico, portanto, conteúdos e princípios a priori, obtidos antes mesmo de adentrar a sala de aula, e voz pra se posicionar, educar não é preencher folhas em branco com cores, riscos e rabiscos a esmo. O professor tem a obrigação de levar esses conteúdos em consideração e estabelecer um diálogo entre eles, ensinar não é um monólogo! Nesse sentido não pretendo abordar nenhuma escola específica de pedagogia, mas estabelecer um ponto fixo e rígido ao dizer, é necessário respeitar, a isonomia e a isegoria de um professor no exercício de sua função, professores não dão aulas com achismos ou dogmas, em qualquer das áreas que se observe, humanas, exatas e biológicas, existe um rigor metodológico nas ciências e no limite é isso que se ensina enquanto professor, relacionar o mundo da vida, com a ciência, não se professa dogmas ou verdades relativas a opinião e preferências em salas de aula, se produz conhecimento, do mundo, de si mesmo e dos outros. Projetos como “Escola sem partido” baseados em achismos, sem rigor de pesquisa, estatística, tentam na sua essência desqualificar e desvalorizar a função de professor, após mais de 8 anos de estudo, duas graduações, leituras continuas e noites preparando aulas e corrigindo provas, me recuso a ficar calado diante de uma proposta tão ridícula que tenta ser construída e já se apresenta em 6 Estados desse país. Avanços em relação à educação que tentam ser construídos como educação integral, que demoraram anos pra ser pensados e projetados sem dizer implantados, pode sofrer, um retrocesso de décadas de estudos e debates, pela arrogância de achismos que ao invés de pensar a Educação pensam a si mesmos. Tive sempre a sorte de poder lecionar em escolas que garantiram liberdade de ensino e de aprendizado, Zezinho Portugal, Dalva Lellis, Instituto Federal de Araraquara, Alberto Alves Rollo, em Américo Brasiliense e em destaque sem sombra de dúvidas o Colégio Santa Luz, de Guaíra, onde a liberdade intelectual de professores, e de aprendizado, é valorizada e incentivada pelos diretores, aos quais faço minha homenagem, Bete Teles, Renato Moreira, Evaldo e Alex Vaccaro, e seria impossível não citar a Profª. Marli Vaccaro, que sempre teve um compromisso com a qualidade da educação e do corpo docente, com a pluralidade de ideias e construção de valores éticos e morais de seus alunos. Os resultados são sentidos nos ingressos nas principais universidades desse país e no orgulho dos alunos em fazer parte desse colégio. É esse exemplo de escola e educação que vem sendo construída com dedicação que deve ser valorizada, educação de qualidade, plural, ética e que valoriza alunos, professores e a sociedade.


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Sidnei Ferreira

Sidnei Ferreira, professor de Sociologia e Filosofia.

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