Certamente, há poucas coisas mais interessantes do que se inteirar de fatos que envolvem pessoas a nossa volta, sejam familiares, amigos, colegas de trabalho, políticos e, tão mais interessante isso se torna, quanto mais secreto parece ser o fato. Parafraseando o sociólogo alemão, Georg Simmel, que viveu na década de 50, as relações humanas baseiam-se no fato de que cada um sabe, a respeito do outro, algo que esse outro não revelaria voluntariamente a ninguém.
Todavia, esse não revelar a ninguém está, a cada dia, em vias de extinção, pois a acessibilidade aos canais de comunicação tem possibilitado que notícias, sejam elas verdadeiras ou falsas, sejam espalhadas sem passar pelo filtro da responsabilidade, da sensatez e da ética, atributos invioláveis do jornalismo sério e reconhecido juridicamente.
O que estamos vendo, entretanto, neste admirável mundo novo das redes sociais, é que notícias falsas ganham cada vez mais espaço quando acompanhadas da colega fofoca que, muitas vezes travestida de menina ingênua, causa muito estrago e prejuízo àqueles dela são vítimas.
Paradoxalmente, a prática da fofoca, que faz morada nesse mundo novo e, é um hábito universal tão antigo quanto a própria humanidade: ventila a história que o romano Marco Antônio suicidou -se depois de receber a notícia que sua amada Cleópatra estava morta; ao ferir-se com sua espada, já agonizando no chão, outro mensageiro chega dizendo que Cleópatra estava viva, escondida em um aposento do castelo.
Outro evento mais recente diz respeito às eleições municipais do Rio de Janeiro, em 1996, quando concorriam ao cargo Sérgio Cabral e Luiz Paulo Conde. Os assessores do então candidato Luiz Paulo Conde, articulando uma maneira de derrotar o adversário, colocaram 150 pessoas em bares da cidade, tomando café e dizendo ”eu soube que o Cabral vai renunciar”. A estratégia deu certo e Luiz Paulo Conde que, à beira das eleições estava em desvantagem nas pesquisas, venceu as eleições.
Esses fatos revelam que a fofoca perpassa os séculos da História da humanidade e, quando munida do apelo estético, emocional e sensacional, ganha robustez de notícia, ou melhor, de falsa notícia, espalhando mentiras ou deturpando a realidade a fim de que ela sirva a interesses políticos, ideológicos, eleitoreiros e até pessoais, mesmo que isso custe o prejuízo moral de alguma coisa ou de alguém.
Assim sendo, desconfiar do apelo exagerado ao sensacionalismo veiculado pelas notícias em suas diversas manifestações de ódio, raiva, medo e revolta é, e talvez sempre deveria ter sido, uma forma de defender a verdade, a informação importante e a si próprio.