Gol: respeito e responsabilidade

Opinião
Guaíra, 29 de outubro de 2021 - 09h32

Nas últimas semanas vêm aumentando o tom das discussões sobre as formas de comemoração dos gols por parte dos jogadores. E vem ganhando força a ideia do praticamente “vale tudo”. Mas as coisas não são bem assim.

São 3 as formas que vêm trazendo esse aumento no debate.

O primeiro caso é a provocação aos torcedores (adversários ou do próprio time). Devemos sempre lembrar que o atleta não ganha diretamente proporcional ao que produz, nem ao seu tempo de trabalho, mas ao número de pessoas que leva ao espetáculo, seja presencialmente ou pelos meios de transmissão. Por isso, até, recebem o chamado “direito de arena”. 

Ainda, é preciso entender, de verdade, que, por sua passionalidade, o torcedor vai provocar, mesmo. Óbvio que ele faz coisas inaceitáveis, também, como ir ao aeroporto, à entrada do clube etc., para pressionar jogadores (trabalhadores). Falo aqui daquela provocação dentro do jogo. Mandar torcida calar a boca, ou beijinhos pejorativos, é agredir o seu cliente (mesmo que seja da torcida adversária). E o pior: já está comprovado que isso aumenta a violência entre os próprios torcedores.

Para piorar, está havendo uma poetização do passado. Jogadores, como o Paulo Nunes, por exemplo, está dizendo que na década de 1990 havia provocação e isso era muito saudável. Lembro bem qual foi a reação dele, jogando pelo Palmeiras, quando o Edilson, (Corinthians), fez “embaixadinhas” na final do Paulistão de 1999. Saiu na caçada (e cacetada) aos adversários. O Edilson, por causa desse lance, perdeu a vaga na seleção brasileira. Portanto, não procede a argumentação dele sobre a aceitação das provocações em tempos passados. 

O segundo é tirar a camisa no momento do gol. A questão é que o investimento dos patrocinadores é muito alto (nas grandes equipes, claro). O gol é o momento especial de exposição. Tirar a camisa, além de ser falta de educação (imagine o corretor de imóveis, ao fechar uma venda, sair correndo e tirar a camisa…), elimina esse momento de aparecimento da marca. Lembrando que ela é outra que garante o pagamento dos atletas. O fato é que, daqui a pouco, vão defender que o jogador puxe umas cadeiras e umas mesas e abra um champagne para comemorar o gol…

A terceira questão é ir ao encontro dos torcedores. Essa atitude coloca, tanto o jogador, quanto os torcedores, em risco (importante recordar quando o Ronaldo Fenômeno fez seu primeiro gol pelo Corinthians, em jogo contra o Palmeiras, em Presidente Prudente: o alambrado caiu, colocando muita gente em perigo). Mesmo onde não tem grade, o risco de aglomeração e queda é grande.

Portanto, futebol não é um mundo à parte. Envolve respeito e responsabilidade. É claro: comemorar, sim! Provocar, desrespeitar e colocar em risco, não!

Pense nisso, se quiser, é claro!

Prof. Ms. Coltri Junior é estrategista organizacional e de carreira, palestrante, adm. de empresas, especialista em gestão de pessoas e EaD, mestre em educação, professor, escritor e CEO da Nova Hévila Treinamentos. www.coltri.com.br; Insta: @coltrijunior


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Coltri Junior

Professor Coltri Junior é palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos

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