Inovação no Brasil

Opinião
Guaíra, 8 de outubro de 2016 - 08h16

No Brasil há enorme carência de capital, sobretudo de infraestrutura, e a qualidade média da mão de obra é de baixo nível. Isso limita fortemente o desenvolvimento econômico do país. Porém, mesmo que esses entraves sejam eliminados isso não será suficiente para a expansão contínua da função agregada da economia brasileira, que depende cada vez mais do progresso tecnológico.

Apenas com um salto de eficiência é que a produção nacional poderá manter um ciclo de expansão sustentada. O papel da inovação, seja do produto ou do processo produtivo, é cada vez mais importante. É preciso criar condições para acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico, incorporando esses avanços à estrutura econômica.

A inovação está estreitamente relacionada com a criatividade, um recurso valioso que precisa ser cultivado. Essa é uma necessidade cada vez mais relevante no atual estágio de transformação tecnológica e de integração regional e mundial da produção e comercialização.

Há uma aceitação geral de que o Brasil é criativo, mas não inova. Por que isso? Há casos emblemáticos de produtos criativos que são destaques internamente e em mercados internacionais. Alguns exemplos sempre lembrados são as sandálias Havaianas, os produtos de perfumaria ecológica da Natura e o site de comércio eletrônico Submarino. Estes são casos de criatividade bem-sucedida que, ao serem combinada com o fato do país ser classificado como um dos mais empreendedores do mundo pela Global Entrepreneurship Monitor e pela organização de fomento ao empreendedorismo Endeavour, mostram que o Brasil tem um grande potencial inovativo.

Segundo o economista alemão Teodore Levitt, da Universidade de Harvard, a criatividade não é suficiente para gerar inovação. O primeiro conceito diz respeito ao pensamento de coisas novas e o segundo consiste em fazer coisas novas. Isto nos faz crer que a inovação no Brasil é um fenômeno que se traduz como uma adaptação criativa e não como “destruição criativa”, ideia criada pelo economista Joseph Schumpeter nos anos 40 para definir algo que gera novos mercados e novos ciclos de negócios.

Independente do que nos sugere a afirmação de Levitt, a criatividade verificada no Brasil é um potencial reconhecido mundialmente que deve ser explorado no sentido de gerar inovação, ainda que não seja rigorosamente nos moldes da ideia schumpeteriana. Aliás, cumpre dizer que a esmagadora maioria das inovações ao redor do mundo ocorre a partir de algum conhecimento prévio. O produto ou processo que surge a partir daí se torna uma adaptação melhorada que causa melhoria na eficiência de um produto ou de um processo. Essa é a regra universal em relação à inovação e o Brasil fica atrás quando comparado à maioria dos países desenvolvidos e emergentes.

Essa é uma questão importante para o Brasil debater nos meios empresariais, acadêmico e governamental. Economias ao redor do mundo colocam a inovação como fator cujo peso é crescente para o desenvolvimento econômico. Na economia brasileira não deve ser diferente.


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Marcos Cintra

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA) e professor titular de Economia na FGV (Fundação Getulio Vargas). Foi deputado federal (1999-2003) e autor do projeto do Imposto Único. www.facebook.com/marcoscintraalbuquerque

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